Calendário Geral da Diocese
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atualizado Diariamente:
Calendário Geral da Diocese do Funchal:
Agenda do Bispo do Funchal:
"SEDE
PRATICANTES DA PALAVRA"
Tg 1,22
1. Cristo chama-nos à vivência da Palavra
"Sede praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, enganando-
vos a vós mesmos" (Tg 1,22). A partir deste apelo firme de São Tiago
Menor, Padroeiro da nossa Diocese, os cristãos são continuamente
chamados a viver uma fé concreta, encarnada na realidade, que
ultrapassa a mera escuta passiva e se traduza em testemunho,
compromisso e ação.
Com efeito, a Palavra de Deus não é apenas mensagem a ser
acolhida, mas vida a ser assumida, caminho a ser percorrido e
missão a ser realizada no meio do mundo, como prolongamento
do próprio Jesus: "Quem acredita em Mim fará também as obras
que Eu faço" (Jo 14, 11). De facto, a fé não é apenas um sentimento
ou um caminho privado no interior da nossa consciência: Jesus
chama-nos a exteriorizar a fé em obras, em ações concretas. Fazer
as obras que o Senhor faz é viver o amor, a misericórdia, a
compaixão, o perdão e a clemência.
Só assim, com a graça de Deus, poderemos construir uma vida
plena, como diz o Senhor: "Todo aquele que escuta estas minhas
palavras e as põe em prática é como o homem prudente que
edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os
rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque
estava fundada sobre a rocha (Mt 7, 24-25). Podemos construir
muito, mas se construímos sem Deus, acabamos por construir
sobre a areia, sem fundamentos, sem alicerces. Deixa, pois, que a
Palavra de Deus seja luz para os teus caminhos (cf. Sl 119,105).
2. A Palavra de Deus, centro da vida da Igreja e força
transformadora.
Neste horizonte, o Programa Pastoral da Diocese do Funchal para
o ano 2026-2027 propõe-se renovar a consciência de que toda a
ação da Igreja nasce da escuta atenta da Palavra e encontra
plenitude na sua vivência quotidiana.
Alimentados por esta Palavra, somos chamados a
escutar, acolher
e testemunhar com fidelidade o Evangelho, para que cada cristão
e cada comunidade possam crescer na fé, na esperança e na
caridade, tornando-se sinais vivos da presença de Deus no mundo.
Somos, também, chamados a renovar a confiança na força
transformadora da Palavra de Deus, recordando que ela "é viva e
eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes" (Hb 4,12).
Numa sociedade marcada por rápidas transformações, desafios
sociais e interpelações culturais, torna-se urgente redescobrir a
Palavra de Deus como critério de discernimento, e fonte de
renovação espiritual.
3. Da centralidade de Cristo à conversão pastoral e ao anúncio
do Evangelho
Como nos recorda o Concílio Vaticano II, "aprouve a Deus revelar-
Se a Si mesmo" (DV 2), mostrando como Deus toma a iniciativa de
vir ao nosso encontro e amar, pedindo-nos uma resposta concreta.
E S. Jerónimo afirmava que "a ignorância das Escrituras é
ignorância de Cristo". Por isso, podemos esperar que a animação
bíblica de toda a pastoral leve a um maior conhecimento da
Pessoa de Cristo, a crescer na relação de amizade, de proximidade
e de amor para com Ele.
Colocar a Palavra de Deus no centro da nossa vida é colocar Cristo
no centro da nossa existência. A Sagrada Escritura não é apenas
um texto antigo. É, antes de tudo, Cristo, Palavra viva do Pai, que
vem ao nosso encontro, que se quer comunicar, entrar em relação
connosco, amar-nos, fortalecer-nos e encher-nos de esperança. É
sobretudo nele que "Deus fala aos homens como a amigos e
convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão consigo"
(DV 2). Viver iluminados pela Palavra deve ser uma verdadeira
experiência de Cristo vivo.
Diante deste Deus que nos fala e que nos mostra o seu amor, a
nossa resposta é o acolhimento, como diz o Salmo: "Guardo no
coração as tuas palavras" (Sl 119, 11). E aqueles que O acolhem
tornam-se verdadeiramente seus filhos, cristãos, porque vivem
com Cristo e n'Ele. Assim, a Palavra guardada no coração torna-se
oração, diálogo, relação de amizade e de proximidade com Deus.
Cristo torna-se caminho e companheiro de caminhada.
Somos também provocados a uma conversão
pastoral contínua: a
passar de uma fé apenas escutada para uma fé vivida; de uma
Igreja de manutenção para uma Igreja em saída, fiel ao Evangelho
e atenta às necessidades do mundo; de uma Igreja em que alguns
decidem, a uma Igreja em que todos são, sinodalmente,
convocados a discernir os caminhos do Espírito.
Animados pela Sagrada Escritura, somos convidados a fortalecer a
nossa vida comunitária, tornando as nossas comunidades cada
vez mais vivas — comunidades onde a Palavra é proclamada,
meditada, celebrada e traduzida em gestos concretos de caridade,
justiça e evangelização.
Este caminho pastoral deve envolver todos — leigos, consagrados e
ministros ordenados — numa dinâmica de corresponsabilidade
diferenciada, tornando cada fiel um discípulo missionário.
É do encontro com Cristo vivo que, também nós, escutaremos, tal
como os primeiros discípulos, o envio para a missão: "Ide e
anunciai a todos os povos" (Mc 16, 15). Este tempo é o nosso.
Sejamos pois Igreja que assume a tarefa que lhe foi confiada por
Cristo de ir e anunciar o Evangelho a todas as gentes,
transformando vidas, sociedades e contextos.
Nenhuma pessoa que crê em Cristo se pode sentir alheia à
responsabilidade de O anunciar. Esta consciência deve ser
despertada em cada família, paróquia, comunidade, associação e
movimento eclesial. Toda a Igreja, enquanto mistério de
comunhão, é missionária. E cada um, no seu próprio estado de
vida, é chamado a dar um contributo para que outros conheçam
melhor o Senhor (cf. Verbum Domini 94).
Quando anunciamos o Evangelho, exortamo-nos reciprocamente a
cumprir o bem e a empenhar-nos pela justiça, pela reconciliação e
pela paz (Cf. Verbum Domini 99).
Quanto mais aprofundarmos a nossa relação pessoal com o
Senhor Jesus; quanto mais nos disponibilizarmos para a missão,
tanto mais nos daremos também conta de que Ele nos chama a
opções vocacionais definitivas, à santidade, pelas quais a nossa
vida responde ao seu amor.
4. Aprender com Maria, Mãe de Jesus
Finalmente, não podemos deixar de voltar o nosso olhar para a
Virgem Maria, Mãe de Jesus. Nela, a Palavra fez-se carne,
proximidade, gesto de amor infinito por todos nós. Aprendamos
com Ela a disponibilidade e generosidade para dizer: "Eis a Serva
do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra" (Lc 1,38).
5. Linhas operativas para a concretização do programa pastoral
Seguindo o método teológico-pastoral e pondo em prática as
exigências da sinodalidade, foram consultados os diversos
conselhos diocesanos, os arciprestados, os secretariados
diocesanos e as direções dos movimentos e obras laicais para
avaliar o caminho realizado e para projectar e decidir linhas
pastorais operativas a concretizar neste ano.
Assim, são propostas várias ações a concretizar no próximo ano
pastoral:
A nível diocesano:
-Propor um curso de Introdução à Bíblia e um curso sobre o
documento do Concílio Vaticano II "Dei Verbum" no âmbito da
Escola Teológica;
-Organizar e promover uma Semana Bíblica Diocesana;
-Propor à Diocese modos de celebração do Domingo da Palavra
(Secretariado Diocesano de Liturgia e Espiritualidade);
-Realizar o compromisso dos Leitores na Festa do Corpo de Deus;
-Organizar um grupo de jovens para as Jornadas Mundiais da
Juventude de Seul;
-Continuar a caminhada sinodal iniciada nos anos anteriores.
A nível dos Arciprestados:
-Organizar um encontro arciprestal para todos os Leitores.
-Organizar retiros espirituais centrados na Palavra de Deus, para
fortalecer a fé e o compromisso pastoral.
A
nível das Paróquias, Movimentos e Obras Laicais:
-Chamar e formar novos Leitores da Palavra de Deus;
-Criar grupos bíblicos paroquiais.
-Formar para a lectio divina (oração a partir de um texto bíblico).
-Celebrar o Domingo da Palavra e valorizar da Festa da Palavra na
Catequese Paroquial
-Insistir no uso e conhecimento da Bíblia na Catequese Paroquial;
-Realizar a leitura partilhada de um documento do magistério
sobre a Palavra de Deus.
-Envolver os jovens no uso e meditação da Sagrada Escritura.
-Continuar a implementação de conselhos económicos e
conselhos pastorais paroquiais.

