500 Anos: São Tiago Menor. Padroeiro da Diocese

500 Anos da escolha de São Tiago Menor como Padroeiro da Diocese do Funchal

A Diocese do Funchal celebra 500 Anos da escolha de São Tiago Menor como Padroeiro principal da Diocese do Funchal.

Vida de São Tiago Menor:

Tiago consta da lista dos doze apóstolos, da mesma maneira que Santiago Maior: Mt 10:3, Mc 3:18, Lc 6:15, At 1:13. Também é mencionado quando sua suposta mãe aparece em Mc 15:40, onde lhe é dado o epíteto "o menor" (Almeida RA) ou "o mais jovem" (NVI), dependendo da versão, e em Mt 27:56.

Segundo o Evangelho de São Mateus (1) Jesus escolheu doze companheiros para seus discípulos. Simão (que foi chamado de Pedro) e seu irmão André, Tiago e seu irmão João, Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago, Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes. O próprio Jesus os chamou de apóstolos, em Lucas 6: 13, palavra que em grego significa "enviados" e a eles coube a tarefa de iniciar a evangelização do mundo.

Tiago, irmão de João, é conhecido como Tiago Maior e após a crucificação de Cristo, teria saído em direção à Península Ibérica na região da Galiza, para pregar o cristianismo. No entanto, poucos habitantes da região teriam se convertido. Não obtendo o resultado esperado, Tiago teria voltado à Palestina.

No ano de 42 em Cesareia Palestina, Tiago foi perseguido por ordem do rei Herodes Agripa I, que mandou prendê-lo, decapitá-lo e jogar os seus restos para os cães. Diz a lenda que esses restos foram recolhidos por dois de seus discípulos, Atanásio e Teodoro, e levados secretamente à Espanha, local onde Tiago havia manifestado o desejo de ser enterrado. Após sete dias de viagem, de barco, chegaram nas costas galegas de Iria Flávia (2), perto da atual vila de Padrón. Os discípulos de Tiago pediram permissão para a rainha Lupa, uma dama pagã rica e influente, que vivia na vila de Lupariou ou de Francos a pouca distância de Santiago de Compostela, para depositar os restos de seu mestre em seu feudo, mas ela não permitiu que o enterrem em sua propriedade. No entanto, uma onda de milagres atribuídos a Tiago acabaram por convencê-la. Um desses milagres foi presenciado por ela e segundo a tradição foi este o motivo da sua conversão ao cristianismo.

"A chamada rainha Lupa, simulando uma mudança de opinião, levou os dois discípulos ao Monte Iliciano, hoje conhecido como Pico Sacro, e ofereceu-lhes dois bois selvagens que viviam em plena liberdade e mais um carro para transportar os restos do apóstolo Tiago desde Padrón até Santiago. Os discípulos chegaram perto dos animais, que para assombro de Lupa, deixaram que lhes colocassem os arreios mansamente. Frente esta cena, Lupa decide abandonar as suas crenças e converter-se ao cristianismo".(3)

Muitos creem que Tiago foi enterrado num lugar chamado Libredunnum, onde há muito tempo havia um cemitério romano, em 44 d.C.. Com as invasões bárbaras a queda do Império Romano e, posteriormente, com as invasões muçulmanas, o túmulo acabou sendo "esquecido" ou perdido (in wikipedia).


Martírio de São Tiago Menor e suas relíquias:

Com efeito, diferente dos demais Apóstolos que partiriam em missões pelo 'mundo' de então, São Tiago Menor jamais deixou Jerusalém, o que vai custar-lhe a vida. Morreu espancado e apedrejado pelos judeus, após ser atirado do alto do Templo por não negar que Jesus era o Cristo, fato que significativamente evoca uma das três tentações de Nosso Senhor por Satanás: mais uma vez e maliciosamente o inimigo atingia o próprio Senhor, agora através de seus laços familiares.


Seu martírio deu-se poucos anos antes da destruição de Jerusalém, quando a comunidade-mãe da Igreja, então com novo núcleo formado em Roma por São Pedro, vai desaparecer em definitivo, já sob o bispado de seu substituto, São Simão de Jerusalém, seu irmão e o quarto dos 'irmãos' de Jesus nos relatos de São Mateus e São Marcos, que também acabou martirizado.


Suas relíquias foram transportadas para a Basílica dos Santos Apóstolos, em Roma, e depositadas junto às de São Filipe Apóstolo, um testemunho perpetuado pela Sagrada Tradição da grande amizade que entre eles havia, antes, durante e depois da passagem do Salvador entre nós. 


Breve história da escolha como Padroeiro:

Estamos a caminho da celebração dos 500 anos, daquele longínquo 11 de junho de 1521, quando a peste dizimava a vida de tantos madeirenses. Nesse dia de feliz memória, todo o povo de Deus, clero e autoridades, reunidos, na Sé do Funchal, elegeram São Tiago, como Padroeiro da cidade do Funchal e da Diocese do Funchal. Como sinal de gratidão, fez-se a promessa de construir uma Igreja em sua honra. Apenas em 1523, na Sé do Funchal prometeu-se fazer uma procissão que, atualmente, se realiza entre a Sé e a Igreja de Santa Maria Maior, a que denominamos como procissão o «Voto de São Tiago».

A procissão é realizada no dia 1 de maio na data em que a Igreja celebrava a festa de São Tiago Menor. Atualmente, depois das reformas do Concílio Vaticano II, a data da sua festa é no dia 3 de maio. Ainda, assim, a data da procissão permanece no dia 1 de maio.

Durante muitos séculos este voto foi cumprido na íntegra. No entanto, ultimamente, optou-se por fazer esta procissão entre a Capela do Corpo Santo e a Igreja do Socorro. Este ano, em que celebramos os 600 anos do Achamento do Arquipélago da Madeira, a Diocese do Funchal propôs que celebrássemos o Voto de São Tiago na sua forma original, isto é: fazer o percurso da procissão religiosa, desde a Sé ate a Igreja do Socorro, como sinal de comunhão com os nossos antepassados. Desta maneira, integra-se também uma vertente, não só histórica e cultural, mas a tomada de consciência da atualização deste mesmo voto para os nossos dias.

A fé sem obras está morta.