Como é que eu posso entender


A questão colocada ao Apóstolo Filipe pelo alto funcionário etíope mantém-se ainda hoje: "Como é que eu posso entender?" (Act 8,31). A pergunta era um convite a uma resposta de Filipe, mas acabou por ir muito mais longe.
Como é que eu posso entender? Primeiro, é necessário perceber que a Escritura não se basta a si mesma: necessita de alguém que a explique; necessita de uma comunidade onde ela faça sentido. Uma coisa é ler palavras e frases; outra é entender o significado maior da palavra de Deus.
Mas, depois, é necessário - para a entender bem - escutar o anúncio acerca de Jesus. No caso, o etíope estava a ler o Profeta Isaías. Sabia ler; como alto funcionário, era capaz de perceber o que dizia o Profeta (tinha certamente capacidade intelectual); como judeu piedoso (tinha ido a Jerusalém para adorar a Deus) até percebia o valor sagrado do livro que estava a ler. E, contudo, não entendia. Porque a Escritura apenas se compreende verdadeiramente quando percebemos que se refere a Jesus de Nazaré; quando percebemos que ela clama por ser cumprida em acontecimentos, em vida, em Jesus. Só entende bem a Escritura quem a vê cumprida em Jesus. E o baptismo faz-nos um com Jesus. Não admira que o etíope tivesse querido ser baptizado. Porque também nele, na sua própria vida, se cumpria a Escritura.
E, finalmente, o grande intérprete da Escritura: o Espírito Santo. É Ele quem move os corações: quem conduz o Etíope e Filipe; quem abre o coração de um e a boca de outro; quem faz perceber que "Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim" (Jo 6,45).