Cumprimentos de Natal

28-12-2018

Palavras de D. António Carrilho, Bispo do Funchal,

nos cumprimentos de Natal de 2018

Caros amigos, saúdo e gradeço a presença de todos, nesta bela expressão da Igreja Diocesana: sacerdotes, membros de institutos de vida consagrada e leigos, comigo vosso Bispo. Um momento de família, em família eclesial, no tempo de Natal, tal como acontece, nesta quadra, nas relações familiares. Agradeço as palavras e os sentimentos que me foram dirigidos, manifestando, afinal, o reconhecimento da nossa entrega e missão comum.

Tendo presente a rica noção de Igreja, que nos foi deixada ou reavivada pelo Concílio Vaticano II, temos vocações e tarefas diferentes, participando em corresponsabilidade da missão comum da Igreja. Agradeço às diversas vocações e carismas a sua atividade na nossa Diocese, no seio da própria Igreja e nas diversas formas de presença na sociedade.

Aos sacerdotes agradeço, em especial, a intensa atividade, desenvolvida no tempo do Advento e Natal: visitas aos doentes, atendimento no serviço de confissões, ajuda aos colegas, as Missas do Parto, etc. Belas tradições que não poderão perder-se nem mitigar-se no seu verdadeiro significado, reduzindo o sentido da fé e do compromisso que envolvem.

Aos religiosos e leigos agradeço o tanto que fazem nas respetivas tarefas diárias, como testemunho específico das suas instituições, e a colaboração que prestam em tempos de maiores necessidades pastorais ou sociais. O Bispo está convosco e conta convosco!

Alguns momentos marcantes

Além destes justos agradecimentos, apraz-me recordar, com brevidade, alguns momentos marcantes da vida da Igreja entre nós e em relação com a Igreja universal, neste ano de 2018, com especial relevância para a vida cristã dos fiéis. Assim:

· Participação da Diocese na Exposição "As Ilhas do Ouro Branco"

A Diocese do Funchal tem a alegria de ter participado na Exposição "As Ilhas do Ouro Branco", realizada no quadro dos 600 anos dos Descobrimentos da Madeira e Porto Santo, que esteve patente, em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga, de 16 de Novembro 2017 a 18 de Março 2018, antecipando de certo modo as comemorações que têm lugar, de acordo com o respetivo programa, desde o passado dia 1 de Novembro (Todos os Santos), no Porto Santo.

De cerca de 100 obras selecionadas, a maior parte é originária de igrejas e capelas, diretamente cedidas pelas paróquias ou através do Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal, com o devido reconhecimento da Diocese.

Esta exposição, tão apreciada pela sua qualidade e testemunho do rico património da Região, constitui uma bela manifestação da ação evangelizadora da Igreja aqui e da fé do nosso povo.

Na verdade, como tive oportunidade de dizer na homilia de 1 de Novembro, no Porto Santo, "A expansão territorial (dos descobrimentos) andava sempre ligada à ação eminentemente evangelizadora da propagação da fé [...]. O Porto Santo e Madeira tornaram-se, ainda que de modo diferente, espaços abertos à universalidade e encontro de culturas", partilhando-se com o anúncio do Evangelho as nossas tradições religiosas, sociais e culturais.

· Ano Missionário (Outubro 2018-Outubro 2019)

Temos repetido muitas vezes algumas expressões do Papa Francisco, a propósito da responsabilidade missionária da Igreja: ela não poderá esquecer que a sua identidade e missão próprias é dar a conhecer, propor e anunciar o Evangelho de Cristo, colocar-se "em saída", ir ao encontro de todos, mais longe ou mais perto, onde ainda não chegou a palavra do Evangelho e até junto das nossas comunidades, onde se torna necessário assegurar a preocupação e novas iniciativas de animação missionária.

O Papa convocou, mais uma vez, a Igreja para a missão, através de um mês missionário extraordinário, em Outubro de 2019. A Conferência Episcopal Portuguesa alargou essa convocação para um "Ano Missionário", não apenas um mês, de Outubro 2018 a Outubro 2019. A nossa Diocese assumiu os mesmos objetivos para o Plano Pastoral 2018-2019, lançando à consciência cristã a grande interpelação: "Ser cristão, viver em missão". É bom recordá-lo, é bom assumi-lo, lembrando e bendizendo a Deus pela nossa forte tradição missionária.

· Ordenação Episcopal de D. José Tolentino de Mendonça

Neste ano em que não tivemos ordenações sacerdotais, fomos tocados pela graça e alegria da ordenação episcopal de um sacerdote madeirense, o Pe. José Tolentino de Mendonça, reconhecido e apreciado pelos seus dotes humanos, culturais e sacerdotais, entre nós e além-fronteiras. O Papa Francisco, depois de convidá-lo para orientar o retiro quaresmal da Cúria Romana, nomeou-o Arcebispo e chamou-o a trabalhar nos quadros do Vaticano.

A sua ordenação decorreu em Lisboa, no dia 28 de Julho passado, tendo seguido para Roma e iniciado o seu trabalho (arquivista e bibliotecário) no princípio de Setembro. Tal distinção constitui uma alegria e uma honra para a nossa Diocese, pelo serviço que assim é prestado por um dos nossos sacerdotes. Agora, pelo Natal, esteve entre nós, cumprindo o seu desejo e propósito de celebrar a Eucaristia na Catedral, onde há 28 anos foi ordenado presbítero, e celebrar em Água de Pena, onde havia sido batizado. Damos graças a Deus e pedimos para ele as maiores bênçãos na missão a que foi chamado.

· 25º Simpósio Nacional do Clero

Realizou-se, em Fátima, no início de Setembro, o 25º Simpósio Nacional do Clero, com o tema: "O Padre, ministro e testemunha do Evangelho", em que participou um grupo significativo de sacerdotes madeirenses. Foi tempo importante de encontro com outros sacerdotes das dioceses de Portugal; tempo de reflexão e experiência de fé, como estímulo à vivência de uma espiritualidade sacerdotal, que muito poderá contribuir para o testemunho do nosso ministério, ao serviço do povo de Deus. De acordo com o tema deste Simpósio, o padre há de ser (identidade) e aparecer (ministério) como "ministro e testemunha da alegria do Evangelho".

· Sínodo dos Bispos sobre os jovens (Roma, Outubro 2018)

No âmbito da Igreja universal, gostaria de lembrar, também, a importância do último Sínodo dos Bispos, realizado em Roma, em Outubro passado, com o tema: "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional", que mobilizou grande parte do trabalho pastoral ao longo de dois anos, centrando a atenção da Igreja nos jovens e seus problemas, nomeadamente no campo da fé e da vocação. Este trabalho há de continuar a partir do Documento Final do Sínodo e tendo na devida conta o conhecimento da realidade de cada Diocese.

Para já e neste domínio muito nos alegra a opção vocacional de dois dos nossos jovens, que serão ordenados Diáconos, no próximo Domingo, Festa da Sagrada Família, na Sé, às 16.00 horas, em ordem ao presbiterado - um deles ligado à paróquia de Santo António (o André), o outro à paróquia do Curral das Freiras (o Marco). Será uma festa diocesana para a qual todos estais convidados, na esperança de, em fins de Julho, podermos participar na ordenação de mais dois sacerdotes para a Diocese.

Votos de Boas festas

Ao expressar os meus votos de Boas Festas, desejo a todos os presentes e, em vós, a todos os diocesanos e aos nossos emigrantes, um Natal de Luz, de fé na mensagem de Jesus; um Natal de Alegria, construído na verdade, na justiça e na paz das consciências; um Natal de Serviço fraterno, atento e disponível para ajudar os mais carenciados.

Rezemos uns pelos outros. E que Deus nos dê a luz, a força e a coragem para assumirmos as nossas responsabilidades na vida de cada dia, com um profundo sentido de participação e comunhão eclesial.

Funchal, 28 de dezembro de 2018

† António Carrilho, Bispo do Funchal