Anuário da Diocese do Funchal, Calendário e Programa Pastoral 2021/2022

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Anuário 2022 - atualizado a 17 junho 2022



DIOCESE DO FUNCHAL

Uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão

("Maria pôs-se a caminho")

PROGRAMA PASTORAL 2021-2022

A Igreja é o povo dos baptizados que caminha, unido pelo Espírito Santo, em direção ao encontro pleno com o Pai. É isto que significa a palavra "sínodo" (caminho feito em conjunto). É isto que vivemos em cada Eucaristia. É este o modo de viver e de agir da Igreja, povo de Deus. Tal exige compromisso e participação por parte de cada um e de todos os baptizados.

O Papa Francisco convidou todas as dioceses do mundo a, no próximo ano pastoral de 2021-2022, participarem mais activamente na preparação e celebração do próximo Sínodo dos Bispos a ter lugar em Roma, em Outubro de 2023, com o tema: "Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão".

Assim, depois de, no dia 10 de Outubro, o Papa abrir em Roma este caminho sinodal, será a vez de cada bispo, dar início aos trabalhos diocesanos de reflexão sinodal no domingo seguinte (17 de Outubro). Por isso, o convite do Santo Padre passará, necessariamente, a integrar o percurso que tínhamos empreendido como diocese para aprofundar as realidades centrais da nossa vida de fé, a partir dos três sacramentos da iniciação cristã (baptismo, eucaristia e crisma).

São Paulo não hesitava em afirmar: "Fomos todos baptizados num só Espírito, para ser um só corpo". E, logo a seguir: "Se um membro sofre, todos os membros partilham o seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros partilham da sua alegria. Ora vós sois o corpo de Cristo, e sois os seus membros" (1Cor 12,13.26-27).

Isto significa que pertencemos à Igreja não por causa de uma coincidência de opiniões ("eu acho que a doutrina está certa"), nem porque é mais fácil ou mais prático para a nossa vida ("reunidos somos mais fortes"), e muito menos por uma tradição herdada, mas porque cada um de nós é, pelo baptismo, membro do Corpo de Cristo.

É essa realidade que dá início à comunhão que vivemos: é Cristo que, em nós, é fonte de comunhão. De facto, antes de ser uma instituição como tantas outras da nossa sociedade, a Igreja é o Corpo místico de Cristo, e nisso é radicalmente diferente de todas as instituições que conhecemos.

Não somos nós quem faz a Igreja. A Igreja, reunida por Cristo no Espírito Santo, está espalhada pelo mundo inteiro, como mostramos em cada Eucaristia ao rezarmos em comunhão com o Papa (garante da comunhão universal) e com o Bispo diocesano (garante da comunhão diocesana).

Acerca da Igreja, o Concílio Vaticano II fez uma comparação importante: assim como, em Jesus, o Verbo se fez carne para poder ser escutado e visto, e para poder salvar tudo quanto era humano, assim também a Igreja se torna presente e visível nas diferentes sociedades humanas, de uma forma organizada e institucional (LG 8). Mas, diz ainda o Concílio noutro passo, "de modo que o que nela é humano se deve subordinar ao divino, o visível ao invisível, a acção à contemplação, o presente à cidade futura que buscamos" (SC 2).

Assim, antes de mais e primeiramente, devemos olhar a Igreja como o Corpo de Cristo. Isto deve ser entendido em algumas dimensões essenciais (cf. LG 7):

  1. Os primeiros cristãos falavam da Igreja como "o mistério da lua". Quer dizer: a Igreja não tem luz própria; a luz que ela irradia é a luz de Jesus Cristo. É na Igreja que "a vida de Cristo se difunde nos que crêem, unidos a Cristo de modo misterioso e real, por meio dos sacramentos" (LG 7). Essa é a grande riqueza da Igreja, que ela não pode deixar de distribuir pelo mundo e pela história: a vida de Cristo. Cristo está hoje no mundo através dos cristãos. Os cristãos são o modo como Cristo pode hoje encontrar os homens e mulheres que vivem neste nosso tempo. A Igreja existe para mostrar Cristo, quer dizer: para evangelizar (cf. EN 14).

  2. E, no entanto, como afirma Santo Agostinho, a Igreja é também "o Cristo total" (cf. Col 1,24). Nós, que ainda peregrinamos na terra e na história, fazemos parte do mesmo e único Corpo de Cristo, unidos aos santos que já atingiram a meta do seu caminhar (a Igreja gloriosa) e àqueles que, apesar de terem já partido deste mundo, ainda se purificam, caminhando em direcção a uma identificação perfeita com Cristo (purgatório). Ao sermos fiéis à fé dos Apóstolos, temos também nós a certeza de integrar a "multidão imensa, que ninguém pode contar, de todas as nações, tribos povos e línguas", e que proclamam: "A salvação pertence ao nosso Deus" (Ap 7,9-10).

  3. O objectivo do nosso caminhar na terra (da nossa peregrinação) é que cada um se conforme cada vez mais com Cristo (se torne mais semelhante a Ele, adquira a Sua "forma"), até que Ele se forme perfeitamente em cada um (cf. Gal 4,19).

  4. Ao fazer parte do único Corpo de Cristo, passamos a ser membros uns dos outros (membros do mesmo Corpo que tem na Virgem Maria e nos santos os seus membros mais ilustres), pelo que passamos também todos a ser responsáveis uns pelos outros.

  5. Tal como no corpo cada membro desempenha uma função, também na Igreja, corpo de Cristo, o Espírito Santo "distribui os seus vários dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios, para utilidade da Igreja" (LG 7; cf. 1Cor 12,12).

  6. Isto exige de todos os batizados a disponibilidade para, segundo a sua condição, escutar o Espírito Santo e os seus apelos, de forma a corresponder generosamente a estes no serviço à comunidade e a quantos necessitam.

  7. A sinodalidade a que o Papa Francisco nos chama, expressão do "caminho comum" que percorremos, realiza-se na escuta da Palavra, na celebração da Eucaristia, na fraternidade da comunhão, na co-responsabilidade e participação de todos na vida e missão da Igreja.

Propõem-se, nesta linha, algumas acções pastorais:

  1. A nível das paróquias:

  • Criar ou estimular as estruturas de participação laical na vida das comunidades cristãs, em particular os Conselhos Económicos e os Conselhos Pastorais paroquiais;

  • Reanimar a participação dos leigos nos diversos serviços paroquiais;

  • Celebrar o dia da Dedicação da igreja paroquial e recolher os elementos conhecidos da sua história/construção.

  1. A nível dos arciprestados:

  • Fomentar o trabalho pastoral em conjunto entre as várias paróquias e entre os sacerdotes;

  • Procurar organizar uma Jornada de Formação Laical.

  1. A nível diocesano:

  • Divulgar a figura do Beato Carlos de Áustria enquanto exemplo de leigo que viveu em família a vocação à santidade;

  • Promover um curso sobre a sinodalidade na Escola Teológica;

  • Criar uma comissão diocesana de acompanhamento dos trabalhos do Sínodo dos Bispos de 2023, que promova os trabalhos que a Santa Sé pedir à nossa Diocese e apresente os resultados, e anime a dinâmica dos trabalhos sinodais;

  • Favorecer a acção e divulgação dos diferentes movimentos laicais de espiritualidade cristã;

  • Fazer a recolha da memória da construção das diferentes igrejas da diocese, em particular das que foram construídas após o Decreto de 1961.

A Virgem Maria é o membro mais ilustre deste Corpo que é a Igreja. Mas é também a sua prefiguração. Quer dizer: nela podemos já contemplar o destino, a meta realizada de cada um e de todos.

Quando lemos no evangelho de S. Lucas que "Maria se pôs rapidamente a caminho" (Lc 1,39) ao encontro de Isabel, para lhe anunciar o Evangelho e partilhar a alegria da maternidade, não podemos deixar de ver nestas palavras a realidade da Igreja na história, ao longo de todos os séculos. Portanto, também nos vemos ali retratados: com a urgência do amor, os cristãos da Diocese do Funchal são chamados a deitar pés ao caminho e a partilhar com a humanidade a Boa Notícia de que são portadores, ao mesmo tempo que oferecem um novo horizonte à vida humana, procurando tornar presente na história o Céu que é Cristo, e no qual os santos gozam da contemplação do rosto do Pai.

Funchal, 8 de setembro de 2021

+ Nuno, Bispo do Funchal


PROGRAMA PASTORAL DIOCESANO
2020 - 2021

Programa Pastoral para o ano 2020-2021

A Eucaristia constrói-nos no caminho da fé: "Cristo salva-te"

A meio do Ano Pastoral de 2019-2020 fomos surpreendidos pela pandemia do coronavírus que nos impediu tantas actividades pastorais, de que se destacam as habituais celebrações da Eucaristia, da Quaresma e da Páscoa, e que ainda agora limita a vida das nossas comunidades.

Mas esta situação não nos pode fazer desanimar na vida da fé: é ela que nos oferece a razão última do nosso viver. Pobres de nós se a perdêssemos: perderíamos o horizonte de vida eterna que a fé sempre coloca diante de nós. Ficaríamos, definitivamente, confinados ao quotidiano.

1. Um ano vivido em condições particulares

Precisamos, por isso, de procurar todos os modos legítimos para manter e alimentar em nós a vida eterna que Deus nos deu no momento do nosso baptismo, sempre animados pelo Seu Espírito. Poderemos não ter a possibilidade de realizar todas as actividades propostas, mas isso não poderá nunca significar que baixamos os braços.

Não deixaremos esquecer - e tomaremos como assumidos - os pontos essenciais propostos pelo programa do ano passado: somos baptizados, e por isso, na nossa existência, vivemos a Vida de Deus, a vida eterna, tornando-nos testemunhas e actores do mundo novo iniciado na ressurreição de Jesus.

Como já tínhamos decidido, o próximo ano pastoral de 2020-2021 será dedicado a aprofundar a dimensão eucarística da vida cristã: a vida divina que nos foi entregue no momento do nosso baptismo, como a poderemos alimentar?

Se esta vida divina nos foi oferecida por Deus, alimentá-la não pode ser apenas fruto da nossa vontade e do nosso engenho. Por isso, o próprio Jesus nos diz que a Eucaristia é o "Pão do Céu" (Jo 6,51). A Eucaristia é o Pão do nosso caminho, o Pão que alimenta a peregrinação da nossa existência cristã.

2. Eucaristia, Deus no meio de nós

Jesus de Nazaré não foi um fantasma, uma ideia, um sonho. Foi um homem, real, histórico - foi "o Homem" (Jo 19,5). Nem foi apenas um contador de parábolas, um sábio que ditava máximas de sabedoria, ou (muito menos) um legislador de regras a serem cumpridas. Se assim fosse, ninguém teria abandonado os barcos, as redes, a família, a vida que vivia até esse momento, para O seguir (Mc 1,16-18). Aqueles que se encontravam com Jesus tocavam nele o próprio Deus, e era essa realidade que os fazia deixar tudo para O acompanharem.

A ressurreição do Senhor (quando os discípulos, depois de O terem visto morto e sepultado, O encontraram vivo e com a vida de Deus) e a descida do Espírito Santo deram a compreender quem era esse Jesus: Deus "no meio de nós" como a fé nos faz dizer com frequência; Deus no meio da história; Deus feito Homem; Deus que se encontra para além dos limites do espaço e do tempo, para se manifestar presente no meio do mundo, para estar hoje presente no nosso tempo. Deus nosso contemporâneo.

Esta presença do Senhor ao nosso lado mostra-se, de um modo particular, na Eucaristia. Ao instituir a Eucaristia na Última Ceia (antecipando o acto de salvação que iria realizar nos dias seguintes com a sua morte e ressurreição), Jesus dá aos discípulos de todos os tempos a possibilidade de O encontrar no presente, de O encontrar hoje.

Assim, também nós, cristãos do século XXI, podemos encontrar o Senhor, segui-Lo, escutá-Lo, deixar que Ele nos dê a vida, a Sua Vida. Quando celebramos a Eucaristia, Jesus torna-se, de facto, nosso contemporâneo, o que significa também que, por isso, nada do nosso mundo lhe é indiferente!

Quando comungamos, Jesus transforma a nossa vida. S. Agostinho não hesitava em comparar: ao comermos os alimentos para a vida da carne, transformamo-los no nosso corpo; mas quando comungamos o Senhor, somos transformados nele (cf. Confissões VII,10). E S. Leão Magno afirmava: "A nossa participação no corpo e sangue de Cristo tem o objectivo de nos converter naquele que recebemos" (Sermão 12, De Passione, 3,7). Sermos transformados no Senhor, identificarmo-nos mais com Ele em cada dia que passa: nisso consiste o nosso caminho de cristãos e o caminho que Jesus faz connosco.

3. Eucaristia, alimento de vida cristã

Por isso, devemos reconhecer que a Eucaristia é alimento de vida cristã sem o qual não podemos passar. Experimentámo-lo, de um modo muito concreto, nos meses em que a esmagadora maioria dos cristãos esteve impedida de comungar o Corpo de Cristo por causa do coronavírus. Sem o alimento da Eucaristia, a vida cristã definha e corre mesmo o risco de desaparecer. Ao contrário, com a Eucaristia, unidos ao Senhor em cada Domingo ou mesmo em cada dia, vamos sendo transformados naquele que comungamos - e isso significa caminhar, progredir na vida cristã.

Ao mesmo tempo, percebemos que todos quantos participam desse verdadeiro "Pão do Céu" fazem parte do único Corpo de Cristo, fazem parte do que também nós somos: é a Igreja que é edificada, de tal modo que cuidamos uns dos outros, nos entreajudamos em todas as dimensões da nossa vida humana e cristã, caminhamos e mostramos a todos como o Senhor é bom (Sl 34,9). Somos o Corpo de Cristo!

Por isso, a Eucaristia é um convite à caridade (quer dizer: à permanência no amor de Deus), como mostrou o próprio Jesus quando, na Última Ceia, lavou os pés aos discípulos e lhes deu o mandamento novo do amor (Jo 13,34).

Por outro lado, ao mesmo tempo que aprofundamos o "Pão do Céu" que é alimento da nossa vida cristã, e tendo em conta a crise que a pandemia do coronavírus gerou, não poderemos esquecer todos aqueles que terão dificuldade em encontrar alimento para o corpo. Assim, havemos de dar especial atenção àquela dimensão da caridade que nos leva a cuidar de quem tem fome e necessita de alimento para o corpo e de tantas outras ajudas para a sua própria sobrevivência.

4. Renovar a "cultura eucarística"

A nossa Diocese tem um rico património (material e espiritual) de devoção ao Santíssimo Sacramento, de tal modo que não raras vezes as nossas Ilhas foram chamadas "Ilhas do Santíssimo Sacramento".

No entanto, temos assistido a um decréscimo do lugar da Eucaristia na vida cristã dos madeirenses e da fé na presença real do Senhor na Eucaristia. É pois importante uma renovação da nossa "cultura eucarística" - quer dizer: um revigoramento da devoção eucarística; uma renovação das suas expressões públicas, seja aquelas ligadas ao património, seja todas as que hoje têm ainda lugar nas várias comunidades; uma purificação do modo de celebrar a Eucaristia que a todos una verdadeiramente ao Senhor e aos irmãos.

5. O voto a S. Tiago Menor

Ao longo deste ano iremos ainda celebrar os 500 anos da escolha de S. Tiago Menor como padroeiro da nossa diocese. Foi durante um surto de peste que os habitantes do Funchal, em 11 de Junho de 1521, escolheram aquele Apóstolo para seu padroeiro e entregaram pela primeira vez nas suas mãos a proteção da cidade do Funchal e de toda a nossa Diocese.

Assim, iremos comemorar a efeméride procurando, antes de mais, conhecer melhor a figura (por vezes esquecida) de S. Tiago Menor. Em particular, havemos de procurar ler e meditar a Carta de S. Tiago, escrito do Novo Testamento cuja autoria é, desde sempre, atribuída ao nosso Padroeiro.

Que a Virgem Maria - Ela que, depois de aceitar dar carne ao Corpo de Cristo, se "pôs a caminho" para visitar Santa Isabel, expressando assim a caridade que a vida cristã sempre faz surgir em nós - interceda pela nossa Diocese ao longo deste ano, e nos ajude a renovar a nossa fé eucarística e a expressá-la em obras concretas de amor dos irmãos (Tg 2,18).

Apresentamos algumas iniciativas a serem tomadas ao longo deste ano:

  • Constituir uma equipa diocesana para acompanhamento das actividades do Programa que, no final, apresente um conjunto de sugestões para intensificar a "cultura eucarística" na Diocese.
  • Fazer uma caracterização dos cristãos que frequentam a Eucaristia dominical.
  • Fazer um levantamento das práticas eucarísticas de cada paróquia (cânticos, devoções populares, inscrições, património...)
  • Fazer um levantamento das Confrarias do Santíssimo existentes na Diocese: quantas são, qual a sua natureza jurídica e quais são os seus membros e actividades.
  • Organizar um Congresso diocesano das Confrarias do Santíssimo.
  • Propor a leitura de alguns documentos recentes do magistério sobre a Eucaristia.
  • Promover acções de formação para quantos estejam envolvidos na celebração da Eucaristia: leitores, acólitos, cantores, Ministros Extraordinários da Comunhão, sacristães, voluntários, floristas, fotógrafos...
  • Fazer uma aplicação com os horários das missas e as leituras dominicais em várias línguas que possa estar à porta das paróquias e seja acessível a quantos por ela passam.
  • Rever em arciprestado os horários das missas.
  • Promover um "lausperene diocesano".
  • Promover a oração pessoal diante do Santíssimo Sacramento.
  • Valorizar a dimensão espiritual das festas do Santíssimo Sacramento.
  • Intensificar a distribuição da Eucaristia aos doentes e idosos através dos Ministros Extraordinários da Comunhão.
  • Celebrar com especial devoção a Solenidade do Corpo de Deus.
  • Celebrar condignamente os 500 anos do voto a S. Tiago Menor e da sua escolha como Padroeiro Diocesano.
  • Promover a leitura orante da Carta de S. Tiago.
  • Promover um Seminário de formação sobre S. Tiago Menor.
  • Cuidar e intensificar as instâncias de apoio aos mais necessitados.


PROGRAMA PASTORAL DIOCESANO E CALENDÁRIO 2019/2020