Anuário da Diocese do Funchal, Calendário e Programa Pastoral 2019/2020



PROGRAMA PASTORAL DIOCESANO E CALENDÁRIO 2019/2020 

PROGRAMA PASTORAL DIOCESANO

2019-2020

TEMA: "Faça-se em mim segundo a Tua Palavra" (Lc 1,38)

OBJETIVO: Redescobrir e desenvolver o dom e a vocação batismal como sinal do Amor de Deus.

No próximo mês de Outubro, celebrado a convite do Papa Francisco como "mês missionário extraordinário", daremos por encerrado o Ano Missionário ("Ser cristão, viver em missão"). Nele, procurámos ser mais e melhor "discípulos missionários".

Neste ano pastoral de 2019-2020 convido-vos a iniciar um triénio de preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude de Lisboa (Julho de 2022), que terão por lema: "Maria levantou-se e partiu apressadamente" (Lc 1,39). É certo que as JMJ são particularmente dirigidas aos jovens. Mas é igualmente seguro que elas não deixarão de interpelar todos os cristãos. É uma oportunidade para renovarmos a nossa vida cristã e a vida cristã das nossas comunidades, tendo por companheira de caminho a Virgem Maria.

Iremos começar procurando reanimar o dom do Batismo que recebemos e aprofundar a nossa vocação cristã, como batizados que somos. Iremos fazê-lo inspirados na frase com que Maria respondeu ao Anjo: "Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38), na certeza de que a Virgem nos irá ajudar a viver melhor como discípulos, a dar o nosso "sim" total e completo ao Senhor que chama e que teve a iniciativa de olhar para nós e nos chamar para Ele.

Ao aceitar o convite de Deus, Nossa Senhora permitiu que por meio da sua carne a Palavra de Deus se fizesse carne - ou seja, permitiu que, por meio da sua humanidade, Deus se fizesse um homem: Jesus de Nazaré. Desse modo, Deus passou a habitar no meio de nós, com todas as consequências que isso traz consigo.

1. Aprender sempre a ser cristão

Ninguém nasce cristão. Tornamo-nos cristãos. É um pouco como aprender a falar. Todos nascemos com a capacidade de falar; mas uma criança só é capaz de pronunciar alguns sons e palavras com sentido depois que a nossa mãe lhe sorriu, lhe deu tantos gestos e palavras de carinho. E, ao longo de toda a vida, sempre continuamos a aprender expressões mais complexas, vamos aumentando o nosso conhecimento e, desse modo, vamos crescendo e sendo integrados numa comunidade humana.

Também todos nascemos com a capacidade de viver com Deus (descobrimos, depois, que foi Ele quem nos deu essa capacidade!). Nascemos com o desejo de uma vida feliz e que dure para sempre, para além da morte biológica. E buscamos Deus, o princípio e a meta de toda a vida. Essa procura surge, mais cedo ou mais tarde, no coração de todos os seres humanos. Mas como podemos chegar até Ele? Como podemos conhecer o Seu rosto? Como podemos partilhar da Sua vida?

Não nos podemos contentar com a nossa imaginação, com a nossa capacidade de sonhar. Apenas quando deixamos que Deus nos diga a Sua Palavra, quando deixamos que Ele nos ensine, nos "sorria" - apenas desse modo aquela procura adormecida começa a despertar no nosso coração. E, depois, vamos sempre continuando a aprender a viver com Ele (muitos, infelizmente, nunca encontrarão Deus porque ninguém os despertou e lhes fez chegar a Palavra!).

2. Deus vem ao nosso encontro e responde à nossa busca

Em Jesus (verdadeiro Deus e verdadeiro homem), Deus diz tudo o que tem a dizer ao mundo inteiro. É uma Palavra que já não consiste apenas em sons ou ideias; é uma vida plenamente humana: a vida de um homem, Jesus de Nazaré.

O anúncio cristão é, precisamente, a "notícia", a Boa Nova (Evangelho) de que Deus veio ao nosso encontro, nos mostrou o Seu rosto e partilhou connosco a Sua vida. E este anúncio não diz respeito apenas ao que aconteceu há 2 mil anos: diz respeito a cada um de nós porque, por meio da pregação do Evangelho (aquela que é feita nas famílias, nas paróquias, no trabalho, nos lugares de divertimento, por cada cristão), Jesus nos faz membros do Seu Corpo que é a Igreja. É a obra admirável do Espírito Santo.

Inspirados por uma das três verdades recordadas pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica "Cristo Vive" (Deus ama-te; Cristo salva-te; Ele vive) queremos voltar a anunciar a todos os batizados a grande notícia: Deus ama-te. Assim escreve o Papa: "Eis a primeira verdade que quero dizer a cada um: «Deus ama-te». Mesmo que já o tenhas ouvido - não importa! -, quero recordar-to: Deus ama-te. Nunca duvides disto na tua vida, aconteça o que acontecer. Em toda e qualquer circunstância, és infinitamente amado" (CV, 110).

3. Não digamos que fomos batizados mas que somos batizados!

Ser batizado é isso mesmo, é ser escolhido e tocado pelo amor de Deus. É mergulhar na sua vida e no seu amor. Ser cristão é um dom e uma felicidade!

No Batismo, Jesus ressuscitado identifica-se connosco e dá-nos a graça de, por meio "da água e do Espírito" (Jo 3,5), morrermos para o homem velho e ressuscitarmos com Cristo. O mesmo é dizer: dá-nos a graça de sermos o homem novo (Rom 6,4), de sermos cristãos.

Mas esta vida nova que nos é dada no Baptismo exige continuidade, aprofundamento, aprendizagem constante. Exige que - tal como sucedeu com a Virgem Maria - deixemos que, em cada momento, a Palavra continue a fazer-se carne, a fazer-se vida, a dar frutos de vida eterna em nós e à nossa volta!

4. Como aprender sempre a ser cristão sempre?

Neste ano pastoral 2019-2020 quero, pois, convidar-vos a aprofundar a graça de sermos cristãos, baptizados.

E como podemos aprofundar, como podemos viver melhor esta vida nova que já experimentamos e que nos convida a viver num novo horizonte, o horizonte da eternidade? Só o podemos fazer assumindo esta atitude da Virgem Maria: "Faça-se em mim segundo a Tua Palavra".

  • Trata-se de escutar Deus e de aprendermos a escutá-Lo cada vez mais e melhor. Ele fala-nos por meio de tantos acontecimentos da nossa vida e do mundo, por meio da Sagrada Escritura, por meio dos Sacramentos e da Igreja, povo de Deus que caminha na história.
  • Trata-se de acolher a Sua Palavra e de deixar que ela dê forma à nossa vida: que ela, fazendo-se carne em nós, nos torne mais "conformes" a Jesus. Que ela nos faça viver de uma "forma" mais semelhante a Jesus: mais atentos a Deus e aos irmãos, às suas necessidades, aos seus sofrimentos e às suas alegrias. Mas não nos esqueçamos nunca: não somos nós quem inventa a vida cristã; não somos nós a dizer em que consiste ser cristão, nem somos "automaticamente" cristãos. Somos cristãos quando deixamos que a Palavra de Cristo dê forma à nossa vida e quando em cada dia nos dispomos a aprender a linguagem da vida nova, o modo de ser homem novo como Jesus.

5. Algumas propostas concretas

Deixo à iniciativa dos párocos, das comunidades e dos movimentos a concretização, na sua realidade humana e cristã, deste convite que dirijo a toda a Diocese. Mas não quero deixar de indicar algumas propostas que poderão ser desenvolvidas no próximo ano:

  • Acolher melhor os pais que pedem o Batismo para os seus filhos. Graças a Deus, a grande maioria dos pais da nossa diocese procura transmitir a fé aos seus filhos logo que nascem. Por isso, pedem o Batismo para as suas crianças. E devem encontrar nas paróquias estruturas que os acolham: casais que dêem testemunho do que significa transmitir a fé, e que preparem, em comunhão com os Párocos, a celebração do Batismo.
  • Proporcionar (a nível de arciprestados) cursos de formação para os agentes pastorais sobre a pastoral do acolhimento para o Batismo, a educação e a transmissão da fé aos mais novos no seio da família.
  • Desenvolver catequeses e percursos para os adultos aprofundarem o dom do Batismo e dos sacramentos já recebidos, sobretudo dirigidas àqueles que tenham abandonado a prática cristã.
  • Criar a nível diocesano uma estrutura que acolha e prepare os adultos não batizados para receber os sacramentos da iniciação cristã.
  • Criar ou desenvolver nas paróquias as estruturas de participação de todos os cristãos na vida comunitária, em particular o Conselho Económico Paroquial e o Conselho Pastoral Paroquial.
  • Formar os membros dos Conselhos Económicos e dos Conselhos Pastorais para uma participação mais activa e consciente nestes órgãos.
  • Criar percursos de iniciação à vida cristã de jovens e universitários, da iniciativa do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e da Pastoral Universitária.
  • Iniciar a preparação diocesana para as Jornadas Mundiais da Juventude de 2022.

                                                                                                  + Nuno, Bispo do Funchal