Procissão do Encontro do Senhor e eucaristia

Procissão do Encontro do Senhor e eucaristia

Sermão do Encontro

A "procissão do Senhor dos Passos», em referência ao caminho do Calvário percorrido por Jesus Cristo, com a imagem da Senhora das Dores, percorreu hoje algumas ruas da cidade do Funchal, entre a igreja do Colégio e a Sé, com a participação de  centenas de fiéis, confrarias, escuteiros, membros da Cáritas diocesana e a Banda Filarmónica de Santo António.  A caminhada processional foi presidida pelo bispo do Funchal, D. António Carrilho, e um dos momentos altos foi o "encontro" entre as imagens do Senhor e a Senhora das Dores, no adro da Sé, onde se encontravam alguns sacerdotes e muito povo, com o cónego José Fiel de Sousa a proferir o tradicional "Sermão".

O vigário-geral da diocese e reitor da igreja do Colégio referiu-se à necessidade de "acertar os nossos passos com Cristo, respeitando os ritmos dos irmãos e sem deixar ninguém para trás". Em relação ao "encontro das duas imagens" acentuou que "o encontro na dor é mais encontro" e, por isso, "a piedade popular sabe interpretar o verdadeiro sentido". Junto à "porta da misericórdia", o cónego José Fiel de Sousa disse que "Deus não contabiliza os nossos pecados", mas "contabiliza as nossas lágrimas" e "não desperdiça o nosso amor, o nosso sofrimento". Acrescentou que "o tempo da Quaresma ajuda-nos também a completar este encontro entre Jesus e a sua Mãe, a caminho do Calvário, na proximidade e no calor humano a favor de quem mais sofre e que a sociedade por vezes menospreza".

No final desta cerimónia, foi lida uma mensagem pela escritora Graça Alves, que aqui se reproduz na íntegra:

No caminho do fim, em silêncio, há uma Mãe que segue o seu Filho e que espera com Ele a hora da morte. Caminhamos juntos, esta tarde, acertando o nosso passo com o de um Cristo à beira da cruz. Connosco, a guiar a dor do nosso caminhar, a Mãe. Dos seus olhos magoados, a lição da Misericórdia.

E ficamos assim, na eternidade deste instante, incapazes de desviar o nosso olhar dos olhos desta Mãe da Misericórdia, acompanhando, na pequenez das nossas vidas, a dor que lhe rasga o peito.

Foi de angústia, este caminho, como é o da vida, tantas vezes. E de despedidas. E de olhares. Mas de luz, também. Porque o olhar da Mãe encontrou o olhar do filho e pegou nele ao colo. E de esperança, também. Porque o olhar triste da mãe tomou o nosso no peito o embalou, explicando-lhe que o fim será apenas a porta do princípio.

Esta tarde, pedimos ao Senhor dos Passos, ao Senhor dos nossos passos, que nos ensine a Misericórdia, através da voz que o silêncio da Mãe - Vida, Doçura, Esperança Nossa – traz à nossa vida. Que saibamos beber, dos seus olhos misericordiosos, a mensagem da sua humanidade, nos dias em que lhe bradamos, gemendo e chorando, degredados de nós e de Deus e desviamos os nossos passos deste caminho de sangue que fizemos esta tarde. Que saibamos pedir a sua intercessão, quando nos esquecemos que o nome do Senhor dos Passos, também é Misericórdia. Porque Misericórdia é um dos nomes de Deus, porque Misericórdia é o nome da cruz.

E, depois deste desterro, que voltemos a fazer juntos este caminho: nós, a Senhora da Misericórdia e o Senhor Ressuscitado. E que a Advogada Nossa, a Doce sempre Virgem Maria, volva sempre os seus olhos misericordiosos para a nossa vida,  para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

A procissão terminou com a celebração da Eucaristia na igreja do Colégio

A relevância do sofrimento e da dor humana marcou o sermão e a homilia da “Procissão dos Passos” que decorreu este domingo (28 de fevereiro) entre a igreja do Colégio e Sé, e na qual participaram centenas de fiéis, acompanhando as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores.

Esta procissão, que acontece em muitas paróquias da nossa diocese, evoca o trajeto de Jesus desde a condenação à morte até à crucifixão, sendo marcada pelo encontro com a sua Mãe e que, segundo a tradição, ocorreu durante a subida até ao Calvário. Estas imagens "são sinais que a Igreja desde sempre transmitiu, como uma catequese, uma pedagogia, e são património de uma riqueza excecional", afirmou D. António Carrilho na missa que concluiu o cortejo.

Na eucaristia celebrada na igreja do Colégio, o bispo do Funchal destacou o significado desta "caminhada processional" e a importância da "mensagem" que estas imagens ainda hoje nos transmitem, em termos do "amor, entrega, bondade e misericórdia de Deus". Em tempo de Quaresma, "a paixão e o sofrimento" são "o grande sinal mais, a grande referência da vida cristã", de tal modo que "ao contemplarmos o mistério de Cristo na cruz aprendemos também a dar a vida pelos outros", sublinhou.

D. António Carrilho lembrou ainda que "Deus está atento às nossas situações e dificuldades", e que a "caminhada" existencial deve ser feita com "todos os irmãos", como "sinal e testemunho da misericórdia de Deus em Jesus Cristo, que veio propor uma vida nova de amor/caridade, através das boas obras". Neste particular, referiu-se à Cáritas que celebrou também hoje o seu Dia, com o lema: "A caridade é o coração da Igreja no mundo". Agradeceu aos responsáveis e colaboradores da Cáritas diocesana todo o trabalho realizado e que passa pelo "serviço fraterno, ajuda material e espiritual". Presentes nesta missa estavam membros das Cáritas paroquiais da Camacha, Canhas, Carvalhal e Funchal.

Com o bispo do Funchal celebrou também o cónego José Fiel de Sousa, vigário-geral da diocese e reitor da igreja do Colégio.

Contactos

Diocese do Funchal
Largo Visconde Ribeiro Real, 49
FUNCHAL
9001-801

 

© 2015 Todos os direitos reservados.

Diocese do Funchal - Gabinete de Informação