Palavras do Bispo do Funchal na Celebração Ecuménica

Palavras do Bispo do Funchal na Celebração Ecuménica

Palavras de D. António Carrilho, Bispo do Funchal,

na Celebração Ecuménica pela Unidade dos Cristãos

Ano Jubilar da Misericórdia - 25 de janeiro 2016

 

 “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (1 Pedro2,9-10)

 

Convocados pelo Espírito Santo, aqui nos reunimos neste encontro de Oração pela Unidade dos Cristãos, sentindo-nos ao redor de Cristo, princípio e fundamento da nossa comunhão na mesma fé e unidade. Na alegria desta celebração ecuménica, saúdo cordialmente os membros das Comunidades da Igreja Anglicana, da Igreja Evangélica Luterana e da Igreja Presbiteriana, existentes na nossa Diocese.

Unidos no amor da Santíssima Trindade, relembro o firme propósito de percorrermos juntos os caminhos da Alegria e da Beleza do Evangelho, como serviço a toda a família humana, a cada homem e a cada mulher. “Este movimento de unidade é chamado ecuménico. Participam dele os que invocam Deus Trino e confessam a Cristo como Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também congregados em assembleias” (Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio,1).

Percorrer juntos o caminho do diálogo e da unidade

Nos 50 anos dos documentos conciliares “Unitatis Redintegratio” sobre o Ecumenismo e  Nostra Aetate sobre a Igreja e as Religiões não-cristãs, somos convidados a tomar consciência da realidade social e religiosa do nosso tempo e a procurar descobrir os desafios que daí resultam e nos são propostos como estrada para impulsionar o diálogo ecuménico, inter-religioso e cultural.

A Igreja, na sua caminhada histórica, em especial nas últimas décadas, tem envidado múltiplos esforços, quer pela oração incessante ao Senhor quer pelo diálogo ecuménico, a prosseguir e fomentar a comunhão entre todos os cristãos. Neste ano, os subsídios de apoio à Semana de Oração pela Unidade, com o tema “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (1 Pedro2,9-10), foram preparados pela Igreja da Letónia, à qual expressamos os sentimentos da nossa solidariedade e profunda comunhão eclesial. O tema da Semana constitui para nós, sem dúvida, um convite a proclamarmos as maravilhas de Deus na história da salvação, tão bem manifestadas na nossa vida pessoal, familiar e apostólica, e hoje, em particular, no generoso empenho de tantos a favor da unidade e da paz.

Embora ainda falte às Igrejas cristãs um certo caminho a percorrer para a unidade desejada, não nos faltam razões para dar graças ao Senhor que, pela ação do seu Espírito, tem suscitado admiráveis progressos em ordem à comunhão na mesma fé. De referir, por exemplo, a feliz iniciativa ecuménica, destinada a preparar as celebrações dos 500 anos da Reforma de Lutero, com a proposta celebrativa de um livro de orações, elaborado pela Federação Luterana Mundial e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

De referir, também, a publicação do recente tratado “Do conflito à comunhão: Comemorações comuns luterano-católicas da Reforma, em 2017”, que convida as comunidades católicas e luteranas a pedirem perdão pelas divisões e a rezarem juntas, por ocasião das comemorações da Reforma e dos 50 anos de diálogo ecuménico entre católicos e luteranos.

A misericórdia, sinal visível de unidade

Muitos têm sido os gestos proféticos dos papas, bispos e sacerdotes, religiosos e leigos, neste desejo sincero de profunda unidade entre todos os cristãos. O Papa Francisco falava da urgência de parar e escutar o Espírito, de vencer os egoísmos e os individualismos, que impedem o caminho da aproximação para a unidade: “sentimos que Cristo – que não pode ser dividido – quer atrair-nos a Si, aos sentimentos do seu coração, ao seu abandono total e íntimo nas mãos do Pai, ao seu esvaziar-se radicalmente por amor da humanidade. Só Ele pode ser o princípio, a causa, o motor da nossa unidade” (26 de Janeiro de 2014).

E neste Ano Jubilar da Misericórdia, o Santo Padre, referindo-se à religião judaica, que foi a primeira a receber a mensagem da misericórdia do Deus de Abraão, e ao islamismo, que dá ao Criador o nome de Misericordioso e Clemente, afirma na bula de proclamação do Ano da Misericórdia:  “Possa este ano jubilar, vivido na misericórdia, favorecer o encontro com estas religiões e com as outras nobres tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação” (O Rosto da Misericórdia,23).

Louvor e compromisso

Reconhecendo a sua fragilidade, perante o projeto da comunhão e unidade, que excede as suas forças e capacidades, a Igreja coloca a sua esperança inteiramente na oração de Cristo ao Pai: “que todos sejam um” (Jo 17,21). A túnica inconsútil de Cristo não pode ser dividida.

Nesta alegria e comunhão como filhos do mesmo Pai, juntos proclamemos, com coragem e audácia, a misericórdia e as maravilhas do Senhor: “Cantai ao Senhor um cântico novo, pelas maravilhas que Ele operou” (Sl 97).

No início desta Semana da Unidade, deixou o Papa Francisco um forte apelo à união das Igrejas, face ao secularismo e indiferença de muitas sociedades. Um apelo que, afinal, é dirigido a todos e a cada um de nós, com palavras fortes e diretas. Disse-nos ele: “Num mundo muitas vezes dilacerado por conflitos e marcado pelo secularismo e indiferença, todos juntos somos chamados a empenharmos na confissão de Jesus Cristo, tornando-nos cada vez mais testemunhas credíveis de unidade e artífices de paz e reconciliação”.

 

Funchal, igreja de Santa Clara, 23 de Janeiro 2016

†António Carrilho, Bispo do Funchal

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