MENSAGEM DA QUARESMA DO BISPO DO FUNCHAL

MENSAGEM DA QUARESMA DO BISPO DO FUNCHAL

Mensagem de D. António Carrilho, Bispo do Funchal,

para a Quaresma de 2016

Funchal, 10 de fevereiro de 2016

Aprender a misericórdia com Deus misericordioso

 

Estamos a viver o Ano Santo da Misericórdia e toda a Igreja se prepara para celebrar a grande Festa da Páscoa, percorrendo o caminho dos quarenta dias da Quaresma. Como diz o Papa Francisco, a Quaresma deste ano deve ser vivida mais intensamente, como tempo forte de celebrar e experimentar a misericórdia de Deus.

A Quaresma é um tempo favorável, o centro e o núcleo do Ano Jubilar, para saborearmos o grande amor de Deus por nós, para reavivarmos o que somos, filhos amados de Deus. É um tempo favorável para realizarmos a peregrinação espiritual a que somos convidados, para passarmos do pecado à vida da graça, do desânimo à feliz certeza da presença de Deus em nós, da indiferença à ousadia da ação e dos gestos de misericórdia.

Aprender a misericórdia através da oração

Somos convidados a viver intensamente este tempo favorável de conversão e o Ano Jubilar como caminho de voltar para Deus com todo o nosso coração e aprender d’Ele a Misericórdia, através da oração e da escuta atenta da Sua Palavra.

O tempo da Quaresma, com a sua peculiar espiritualidade, pode ajudar-nos na aprendizagem de um coração misericordioso: sem oração não teremos o coração de Deus; sem diálogo com Ele, sem abertura ao divino, dificilmente veremos o mundo com o olhar de bondade, de mansidão e paciência de Deus.

Só através da oração o homem humilde se abre à relação com Deus e cresce na sua atenção para com o próximo. Na verdade, descobrir Deus como Pai, rico de misericórdia, é descobrir-se irmão em relação aos outros. Saibamos, pois, descobrir formas de nos colocarmos em contacto com a Sagrada Escritura, em especial com as parábolas da misericórdia, com os gestos e encontros de Jesus, que transformam a vida e o coração dos que se deixam tocar por Ele.

Possam os pais ensinar os filhos a rezar e rezar com eles. Como principais responsáveis e educadores da fé dos filhos, saibam os pais transmitir-lhes os valores mais importantes para o seu crescimento e para a sua integração e participação na sociedade, sem esquecer o valor da própria fé. Esta muito contribuirá para formar adultos responsáveis, com corações atentos a Deus que fala, nos inquieta e desafia a irmos mais longe, também na atenção e escuta do nosso próximo, dos outros nossos irmãos.

Aprender a misericórdia através da Reconciliação

O Ano Santo e a Quaresma constituem uma grande oportunidade para aprendermos a ser misericordiosos, na medida em que cada um de nós sentir a misericórdia de Deus, através da Reconciliação. Quantos cristãos vivem afastados da fonte do perdão e da misericórdia, que nos são dados pelo Sacramento da Reconciliação, longe da experiência que nos liberta daquilo que nos impede de ser mais e de ir mais longe.

Seremos, pois, mais misericordiosos se sentirmos na própria existência o Pai que tudo perdoa e perdoa sempre. Peço aos sacerdotes que procurem formar os cristãos para o Sacramento da Reconciliação, criar horários e, se possível, maior disponibilidade, para que o povo de Deus possa facilmente manter proximidade com a Sua Palavra e celebrar a Reconciliação. Num confessionário o sacerdote não perde o seu tempo, mas converte-se ele mesmo na imagem de Deus que aguarda, que espera, é paciente e nos ama sem medida. Reconciliados com Deus, também nós seremos mais reconciliadores em cada gesto, em cada palavra, em cada nova atitude construtora de paz.

Aprender a misericórdia através da caridade

O caminho que nos leva à Páscoa é também o caminho que desperta em nós um coração mais próximo dos outros, mais atento e sensível às necessidades dos irmãos. Neste tempo, em especial, a Igreja ensina-nos o valor da caridade, do dar cada um algo de si mesmo e do que é seu: sair do egoísmo e da indiferença, caminhar mais para Deus e para os outros.

Neste Ano Jubilar somos desafiados a refletir sobre as obras de misericórdia corporais e espirituais e a trazê-las para os gestos e atitudes da nossa vida quotidiana. Como escreve o Papa Francisco na sua Mensagem para a Quaresma deste ano: “A nossa fé traduz-se em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito (…) Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho”.

E acrescenta: “Se, por meio das obras (de misericórdia) corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas” (n.3).

Tendo em atenção os múltiplos apelos do Papa e de alguns Bispos do Médio Oriente, perante a situação angustiante em que se encontram milhares de cristãos, expulsos de suas casas e impedidos de professar e celebrar livremente a sua fé, a Diocese do Funchal, através da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), encaminha a Renúncia da Quaresma deste ano de 2016 para ajudar os cristãos perseguidos, em especial no Iraque e na Síria.

As ofertas desta Renúncia Quaresmal serão recolhidas, em todas as igrejas e capelas, nos ofertórios das missas dos dias 19 e 20 de março, sábado e Domingo de Ramos. Como sempre, a participação é muito livre, segundo as possibilidades e a consciência pessoal dos fiéis, na certeza de que Deus não deixará sem recompensa qualquer gesto de atenção e partilha fraterna.

Aprender a misericórdia com a Virgem Maria

No início da Quaresma receberemos a visita da Imagem Peregrina da Virgem de Fátima, integrada na preparação do centenário das aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos, na Cova da Iria. Toda a Mensagem de Fátima é um convite à oração, à conversão, à perseverança no bem, a deixar o pecado, a aproximar-se de Deus com todo o coração.

Que Nossa Senhora nos ajude a viver um santo tempo da Quaresma, na alegria de caminhar para a Páscoa com um coração renovado, com um coração generoso, disponível e humilde como Maria, a Mãe de Deus, com um coração rico em misericórdia. E com o Santo Padre também nós dizemos: “Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão!” (Mensagem, 3).

 

Funchal, 10 de Fevereiro de 2016

†António Carrilho, Bispo do Funchal

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