Homilia do Bispo do Funchal na Missa do Dia de Natal

Homilia do Bispo do Funchal na Missa do Dia de Natal

Homilia de Natal de D. António Carrilho, Bispo do Funchal

Natal do Senhor – Missa do Dia


Sé do Funchal, 25 de Dezembro de 2016

 

Natal, mensagem de consolação e de esperança!

 

É Natal, nasceu Jesus!

A Liturgia deste dia é a continuação do Cântico de Alegria e de Adoração da noite de Natal e a revelação da Palavra única e definitiva do Pai à Humanidade: “O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós”. Esta Palavra eterna tem um rosto: o Menino de Belém; fez-Se criança, para que possa ser compreendida por nós. É este mistério admirável de Amor e Ternura, que o Pai oferece ao mundo ao enviar-nos o Filho Amado, Jesus Cristo.

A primeira leitura, do livro de Isaías, o grande profeta Messiânico, é um convite à esperança e à alegria dirigido ao povo de Israel, exilado na Babilónia. Já se adivinha a intervenção amorosa de Deus: “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação…” (Is 52, 7).

 A linguagem simbólica do profeta é uma luz que surge, carregada de promessas de paz e felicidade, porque Deus vem salvar e libertar o Seu povo. Esta mensagem de consolação e de esperança também é para nós, especialmente neste tempo, face aos problemas, necessidades e interpelações da sociedade atual.

A Luz de Deus presente no Mundo

Na verdade, também nós somos convidados a ser sentinelas vigilantes, aprofundando a nossa fé e abrindo o coração ao Amor eterno de Deus, que continua a revelar-Se e a oferecer-Se a cada homem e a cada mulher, no hoje da História e da nossa vida concreta.

As sombras da vida atual não podem apagar a chama da Esperança, que nasceu na manjedoura de Belém e brilha no coração da humanidade, pois as trevas não obscurecem nem apagam a Luz do Filho de Deus presente no mundo. A fé da Igreja recorda, constantemente, que Jesus Cristo nos acompanha sempre e ilumina as noites da nossa vida. “Nós vimos a Sua glória, glória que lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade”(Jo 1,14 ). No rosto do Menino de Belém contemplamos o esplendor da glória do Pai.

Jesus é verdadeiramente o Salvador do mundo. “Sendo o Filho esplendor da Sua glória e imagem da Sua substância, tudo sustenta com a Sua palavra poderosa” (Heb 1,4). É com esta consciência profunda da filiação divina de Jesus, “em tudo superior aos anjos”, como ouvimos na segunda leitura, que contemplamos Deus naquele Menino, deitado numa pobre manjedoura, e escutamos a Voz do Pai: “Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei. Adorem-n’O todos os Anjos de Deus” (Heb 1,6).

A dignidade da vida humana

Caros diocesanos, convosco faço ressonância da mensagem do Anjo em Belém: dou-vos uma grande alegria, também hoje nasceu para nós Jesus Salvador! Vamos a Belém e aprendamos a viver o verdadeiro espírito da celebração do Natal. É que Natal é Jesus connosco, abrindo os seus braços de Menino, para nos acolher e comunicar a Sua Paz e o Seu Amor.

 Nos nossos dias, embora a vivência da festa do Natal possa aparecer com novas e variadas expressões, no âmbito social e religioso, nem sempre com a dimensão da fé tão acentuada como na sua origem, o crente nunca poderá esquecer a necessidade e a urgência de pautar a sua vida pela proposta de salvação, oferecida pelo nosso Deus.

Jesus é a Boa Nova do Pai, o maior presente de Natal! Só Ele pode libertar, efetivamente, o homem e a mulher, apontando-lhe novos ideais e caminhos de descoberta do verdadeiro sentido da vida, de uma vida de qualidade, uma Vida em abundância (cf. Jo 10,10). Em tempo de Natal, deixemo-nos interpelar pela ternura do Deus Menino, que nos revela, com uma nova luz, a grandeza e a dignidade da vida humana, e nos dá a força de uma esperança viva.

Para quem crê, sem Jesus não há verdadeiro Natal. A festa, quando é apenas exterior, por mais bela e atraente que seja, não comporta o dinamismo espiritual de resposta às aspirações mais fundas do coração humano. Cristo abre horizontes de vida e projeta o homem na transcendência de Deus!

Acolher a ternura de Deus

Com sentimentos de amor e gratidão, entremos na pobre gruta e contemplemos, em silêncio, no rosto do recém-nascido o Rosto da Misericórdia do Pai. Como escreve o Papa Francisco, “Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente” (Bula, O Rosto da Misericórdia,8).

Celebrar o Natal é contemplar e acolher o sorriso, a ternura e a misericórdia de Deus, que penetra o coração da Humanidade, como dom e fermento transformador.

Celebremos, pois, o Natal com fé viva e renovada alegria; não nos limitemos às mensagens de boas festas e à troca de presentes. A maior e mais sublime mensagem de Natal é o próprio Filho de Deus, que nos convida a abrir o coração aos gestos de ternura, de vigilância e atenção aos outros, especialmente aos mais pobres.

Há que substituir a cultura da indiferença pela cultura da proximidade e da inclusão dos mais desfavorecidos, a cultura do coração misericordioso de Deus, que vem continuamente ao nosso encontro. Que as obras da fé e da fraternidade cristã sejam, assim, a nossa estrela a iluminar os caminhos que nos conduzem ao presépio, ao coração de Jesus Menino. 

Com a Senhora de Belém, celebremos o Natal no seu verdadeiro dinamismo de intimidade com Deus e de atenção vigilante aos que mais precisam da nossa presença, amizade e ajuda, traduzida em gestos gratuitos de generosidade. Façamos, pois, nascer e brilhar uma nova “estrela de esperança” no coração de quem vive em situações de carência, desemprego, abandono e solidão, de quem perdeu a esperança, a coragem e a alegria de viver.

Saudação natalícia

Caros diocesanos, neste Santo Dia de Natal, comungo convosco a alegria das famílias reunidas, o afeto fraterno das mais variadas formas de entreajuda solidária, o testemunho de fé de tantos lares cristãos e comunidades paroquiais e, em especial, os sentimentos de louvor e gratidão a Deus pelo dom de Jesus Menino.

Boas Festas de Natal para todos vós aqui presentes, vossos familiares e amigos; para quem nos visita nesta quadra natalícia; para quantos nos acompanham através da rádio e da internet, em especial os doentes, idosos e reclusos. Boas Festas para os nossos emigrantes, aqueles que noutras terras procuram viver as tradições cristãs das suas origens. Boas Festas para toda a população da Madeira e Porto Santo. Que o Deus Menino a todos envolva na Sua Luz!

Paz, alegria e esperança! Santo e Feliz Natal para todos!

 

 

Funchal, 25 de Dezembro de 2016

 

 

† António Carrilho, Bispo do Funchal

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