Ecos da Apresentação da Exortação do Papa Francisco sobre a alegria do Amor

Ecos da Apresentação da Exortação do Papa Francisco sobre a alegria do Amor

A mais recente exortação apostólica do Papa Francisco – “A Alegria no Amor” – foi apresentada no Funchal, na passada sexta-feira (22 de abril), pelo cónego Jorge Teixeira da Cunha, da diocese do Porto, doutorado em Teologia Moral e professor universitário de Ética Teológica Fundamental, Ética Sexual e Bioética, entre outras funções. A conferência decorreu na igreja do Colégio, em horário pós-laboral, e contou com a presença de D. António Carrilho e do vigário-geral da Diocese, cónego José Fiel de Sousa.


O orador começou por destacar a publicação do documento pontifício no Ano da Misericórdia, uma coincidência que revela que “o Papa Francisco está mais preocupado com as pessoas do que com a doutrina”. Trata-se de “um texto, uma meditação afetiva”, que “consegue dialogar com o mundo todo” e “está mais preocupado em escutar do que dar conselhos”, como aconteceu com o Sínodo sobre a Família, também ele “um processo de escuta”, disse.


“A Alegria do Amor” é “um texto sobre a “família no tempo presente” e evidencia “um olhar benevolente do Papa”. Ainda que “não tenha uma visão otimista do mundo atual”, o “olhar do Papa visa o ser humano”, como “aconteceu com o samaritano, que é levantado do chão”.


Na sua exposição, de quase uma hora, o cónego Jorge Cunha sublinhou os aspetos essenciais daquela exortação  apostólica que deve ser lida e interpretada como “uma pastoral de vida”, no respeito pela “construção gradual da família” , em que todos têm lugar, e em que "a Igreja é chamada", acima de tudo, a “motivar as consciências e não a substituí-las”.


“A Igreja não quer controlar, mas motivar”, isto é, ajudar a “criar uma atitude que faça agir e capacitar o ser humano para viver ao modo de Cristo”. Por exemplo, no capitulo do matrimónio, o importante “não é formar os casais, mas é principalmente criar nas pessoas uma atitude para agir, sem paternalismos”, alertou.


A exortação, por outro lado, “não traz respostas para problemas concretos, como a fecundidade” e, no entanto, sublinha a necessidade de uma “paternidade responsável”, a par da “espiritualidade familiar” e do “sacramento matrimonial” que devem ser vivenciados permanentemente, num mundo que é tudo e o seu contrário, caraterizado pelo “egoísmo, pela cultura liberal e sem laços de relação”. Neste particular, a exortação dedica um capítulo sobre a “caridade”, porque “o ser humano plenamente humano não pode viver sem caridade. Ainda que não nos esgotemos na relação (com os outros e com Deus), esta é essencial à pessoa”, referiu o orador.


No tocante ao tema sempre recorrente dos “recasados” e “divorciados”, o cónego Jorge Cunha falou da “lógica da inclusão” expressa na “Alegria do Amor”. Assim, “estas pessoas fazem parte da Igreja, não estão excomungadas, não estão em pecado ou em adultério (como se dizia no passado), e não devem ser tratadas como tal”, pelo que se exige “muita atenção e respeito”.  Portanto, “poderão ser integradas na vida sacramental”, uma tarefa que “é preciso agora regulamentar” e que incumbe às dioceses.


Para além da exortação apostólica do Papa Francisco, o cónego Jorge Cunha falou também do problema da “eutanásia”, em discussão na sociedade portuguesa. Centrou a sua reflexão em dois pontos: “quais as razões que levam os nossos contemporâneos a pedirem a antecipação da morte?”; e “como podem os cristãos, os que têm fé, conviver com a lei da eutanásia?”

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