Celebração Ecuménica em Santa Clara

Celebração Ecuménica em Santa Clara

Integrada na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos realizou-se na noite deste sábado (23 de janeiro) na igreja de Santa Clara, Funchal, uma celebração ecuménica presidida por D. António Carrilho e com a participação dos representantes das Igrejas:  Anglicana – Pastor John, Presbiteriana – Pastor Gameiro, e Luterana Alemã - Pastora Ilse Berardo, alguns sacerdotes e muitos fiéis.

O tema e os textos de reflexão do Oitavário deste ano foram preparados pelos cristãos da Letónia, com base numa citação da Primeira Carta de São Pedro (1 Pedro 2,9): «Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor». A cerimónia traduziu-se por várias leituras da Bíblia, cânticos apropriados e gestos de partilha da paz.

No momento previsto para a pregação e mensagem da parte dos responsáveis pelas Igrejas presentes, o bispo do Funchal manifestou a sua “alegria” pelo encontro “ao redor de Cristo, princípio e fundamento da nossa comunhão na mesma fé e unidade”. Lembrou o “caminho do diálogo” promovido desde há 50 anos pelos respetivos documentos do Concílio Vaticano II, no sentido em que “somos convidados a tomar consciência da realidade social e religiosa do nosso tempo e analisar os desafios que daí resultam e nos são propostos como estrada para impulsionar o diálogo ecuménico, inter-religioso e cultural”.

Ainda que a “unidade plena” esteja por realizar-se,  D. António Carrilho reconhece que muito tem sido feito em “ordem à comunhão na mesma fé”, recordando, por exemplo, a preparação conjunta para as celebrações dos “500 anos da Reforma de Lutero”, a cargo da Federação Luterana Mundial e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos; e o “relatório de estudos - Do conflito à comunhão: Comemorações comuns luterano-católicas da Reforma, em 2017”,  que “convida” as respetivas comunidades a “pedirem perdão pelas divisões e a rezarem juntas”.

Neste sentido, também se destacam “os gestos proféticos dos papas, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos”, em particular do Papa Francisco que fala da “urgência de parar e escutar o Espírito, de vencer os egoísmos e os individualismos, que impedem o caminho da aproximação para a unidade”, lembrou D. António Carrilho.

O bispo do Funchal referiu-se ainda ao contexto do “Ano Jubilar da Misericórdia” que pode “favorecer o encontro com estas religiões e com as outras nobres tradições religiosas” (cf. Bula da proclamação do Jubileu – O Rosto da Misericórdia). E sublinhou o “forte apelo à união das Igrejas” feito pelo Papa Francisco no início da atual Semana de Oração, “face ao secularismo e indiferença de muitas sociedades. Um apelo que, afinal, é dirigido a todos e a cada um de nós, com palavras fortes e diretas”. Disse o Santo Padre: “Num mundo muitas vezes dilacerado por conflitos e marcado pelo secularismo e indiferença, todos juntos somos chamados a empenharmo-nos na confissão de Jesus Cristo, tornando-nos cada vez mais testemunhas credíveis e artífices de paz e reconciliação”.

Por seu lado, a Pastora Ilse Berardo, da Igreja Luterana Alemão, colocou a tónica da sua mensagem na questão europeia, em termos do “medo” e do “sofrimento”: “Para onde vais Europa? ; Para onde vais Europa cristã no meio dos ataques terroristas e com a chegada do sofrimento dos refugiados?”, perguntou. “Neste ano paira uma certa resignação, uma espécie de medo pelo futuro justo e livre, pela sociedade europeia”. Mas, “os nossos irmãos da Letónia pedem-nos para nos associarmos, apela-nos a intervir com as palavras da Escritura, para que o Espírito Santo renove os nossos pensamentos e atos com esperança”, assinalou.

Numa referência ao tema do Oitavário, Ilse Berardo indicou que é preciso “louvar” mais o Senhor e ter “esperança”. “Ele quer transformar as nossas fraquezas em forças”, porque “o medo e o sofrimento paralisa-nos”, só “o louvor liberta-nos. Onde o louvor de Deus emudece, a fé corre o risco de sufocar”, alertou.

Do sofrimento e do desrespeito pelos direitos de “cidadania”, em particular na Letónia, falou também o Pastor Gameiro, da Igreja Presbiteriana. “Neste país que pertence à União Europeia, 25 por cento da sua população não tem direto à cidadania”, revelou. Perante esta situação, “os cristãos não podem ficar em silêncio”, têm que ser “filhos da luz” e assumir a sua condição de “eleitos” que, em concreto, significa tão só “cumprir com as exigências do Evangelho”. Os “eleitos são todos os que estão em sintonia com a Palavra de Deus, seja de que confissão religiosa for”, afirmou. Perante situações discriminatórias, urge “responder, não com vingança, mas à luz da Palavra de Deus, não tomar o todo pela parte, não ficar em silêncio”.  Numa palavra, “é importante não ter medo, mas convicções, cheios de amor, e para isso precisamos de estar unidos”, sublinhou.

Palavras de estímulo e de confiança a favor da “unidade dos cristãos” foram também proferidas nesta celebração ecuménica pelo Pastor John, da Igreja Anglicana no Funchal. “Deus é o nosso criador” e como suas criaturas “somos valiosos e capazes”. A nossa “autoestima” deve assentar nestes “pilares”, de tal modo que o “mundo à nossa volta” não os possa influenciar pela “negativa” ou destruir.

 

 

Contactos

Diocese do Funchal
Largo Visconde Ribeiro Real, 49
FUNCHAL
9001-801

© 2015 Todos os direitos reservados.

Diocese do Funchal - Gabinete de Informação