PROGRAMA PASTORAL 2017-2018

 
 

PROGRAMA DIOCESANO DE PASTORAL

2017 - 2018

 

Igreja jovem com os jovens

 

Ao celebrarmos o Jubileu dos 500 anos da Dedicação da Sé do Funchal, caminhámos no ano pastoral 2016/2017 num programa conjunto de comemoração e de renovação Eclesial, com o lema “Viver, em Igreja, a alegria de ser cristão”. Iremos, agora, continuar a nossa caminhada, neste ano pastoral de 2017/2018, centrando a maior atenção nos jovens, com o tema "Diocese do Funchal: Igreja jovem com os jovens". Temos, assim, bem presentes as palavras do saudoso Papa São João Paulo II: “a Igreja só será jovem, quando os jovens forem Igreja”.

Queremos responder, deste modo, ao desafio lançado pelo Papa Francisco em ordem ao Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, a realizar, em Roma, em outubro de 2018. A Igreja do Funchal quer associar-se, de todo o coração, a esta caminhada sinodal de toda a Igreja e assim também renovar a própria Igreja Diocesana na sua vida pastoral, através de um programa que se propõe centrar a sua atenção nos jovens: na forma como os integramos na Igreja; como lhes transmitimos a beleza da fé e contamos com eles na edificação da própria Igreja e na sua missão de anunciar a alegria do Evangelho, em todo o tempo e lugar. 

Cada jovem deve ser e sentir-se parte importante do olhar de atenção e de amor da sua família, dos seus pais, daqueles que o ajudaram a crescer e amadurecer, da escola, enfim, de toda a sociedade. Ele há-de sentir-se, também, envolvido pelo olhar misericordioso de Deus, que ama cada um e conta com cada um, e pelo cuidado pastoral da Igreja: ela quer caminhar com os jovens e não poupará esforços para os ajudar, apontando-lhes a beleza da fé e os valores para um ideal de vida cristã.

É claro que, quando se fala de jovens, fala-se sempre de grandes desafios e constantes mudanças e incertezas, mas o mais certo é que Deus não abandona os jovens e a Igreja não o pode fazer, sem correr o risco de perder a sua própria identidade e sentido de missão. Por isso, juntos devemos, com os próprios jovens, fazer uma caminhada de Igreja; juntos devemos responder a cada época e a cada novo desafio, com coragem e determinação.

Nesta caminhada, não basta ficar pelos diagnósticos da realidade e das necessidades; nem vale a pena insistir e manter-se em linguagens de simples lamentação e crítica. O importante é continuarmos a caminhar, animados pelo Espírito de Deus, conduzidos pelo mesmo Espírito no rasgar novos horizontes e sendas que possam ir mais além e chegar a um maior número de jovens, proporcionando a cada um a experiência de descoberta e de verdadeiro encontro com Jesus Cristo. E que este encontro chegue pelas suas mãos ao concreto da vida e transforme o mundo num mundo melhor, de paz, de justiça e de fraternidade. 

Quando se fala de jovens e com os jovens percebemos, também, a riqueza que tantas vezes está contida nos seus corações e deve ser colocada ao serviço do bem comum, da missão da Igreja e da sociedade. Importa, sem dúvida, fazer com que tantas capacidades, valores e competências, se tornem instrumento e caminho de realização pessoal, de felicidade e empenho na construção de um mundo novo.

A presente proposta de Programa Pastoral não quer menosprezar a missão própria e o programa específico dos secretariados diocesanos, arciprestados e paróquias, institutos de vida consagrada, grupos e movimentos apostólicos, mas pretende, isso sim, inspirar, apoiar, potenciar e integrar a nossa ação pastoral num projeto conjunto de Igreja, em comunhão com o Papa e as outras dioceses, gerando verdadeiros dinamismos de unidade e maior eficácia pastoral. 

As linhas e objetivos pastorais, que a seguir se apresentam, resultam da reflexão, discernimento e partilha, realizados em diversos momentos e âmbitos da Igreja diocesana, designadamente nos arciprestados, no conselho de arciprestes, no conselho presbiteral e no secretariado diocesano de pastoral.

Que Maria jovem, Mãe de Jesus e nossa Mãe, seja modelo para todos os jovens no seu “sim” generoso, na sua alegria e total entrega à vocação que Deus lhes aponta. Que Ela nos abençoe e conduza a todos nos caminhos da vida cristã e na Missão.

Funchal, 30 de setembro de 2017.

† António Carrilho, Bispo do Funchal

 

 

PROGRAMA DIOCESANO DE PASTORAL

2017 – 2018

 

Tema - Diocese do Funchal: Igreja jovem com os jovens

Propostas de linhas pastorais operativas

 

I – Promover a Pastoral Juvenil

1.      Renovação das estruturas:

a)   Renovar o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e o seu Conselho;

b)   Criar grupos paroquiais de jovens;

c)   Escolher delegados de Pastoral Juvenil em cada Arciprestado;

d)   Reconhecer a identidade e carisma dos grupos e movimentos juvenis existentes.

 

2.      Formação:

a)   Formar animadores de grupos juvenis;

b)   Promover encontros e retiros para jovens;

c)   Integrar a formação da fé dos jovens no dinamismo das suas atividades;

d)   Apoiar a integração dos jovens do Ensino Superior nos Serviços de Pastoral das respetivas escolas e universidades.

 

3.      Outras atividades e dinamismos

a)   Assegurar a disponibilidade dos agentes pastorais para integrar, escutar e acompanhar os jovens;

b)  Comunicar com os jovens numa linguagem adaptada ao nosso tempo;

c)   Promover jornadas de Pastoral Juvenil nos diversos âmbitos: paroquial, arciprestal e diocesano;

d)  Desenvolver atividades de voluntariado social e missionário para adolescentes e jovens;

e)   Revitalizar a organização do Dia Diocesano da Juventude;

f)   Apoiar as famílias na transmissão da fé aos mais novos;

g)  Fomentar a oração na família, com pedagogias adequadas;

h)  Preparar a participação dos jovens na Jornada Mundial da Juventude, em 2019, no Panamá.

 

II – Prestar especial atenção à Pastoral Vocacional

a)   Renovar o Secretariado Diocesano da Pastoral das Vocações e outras estruturas de apoio;

b)  Promover a oração pessoal e comunitária pelas vocações, nomeadamente vigílias de oração e tempos de adoração ao Santíssimo Sacramento;

c)   Proporcionar maior contato dos jovens com os Seminários, os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;

d)  Convidar os adolescentes e jovens para as atividades do Pré-Seminário;

e)   Facultar aos jovens tempos e espaços de reflexão, escuta, discernimento e acompanhamento vocacional.

 

III – Concretização das linhas pastorais operativas

- À responsabilidade de cada Paróquia, Movimento e Obra;

- À responsabilidade dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica;

- À responsabilidade de cada Arciprestado;

- À responsabilidade da Diocese e respetivos Secretariados.

 

Carta do Papa Francisco aos jovens

 

Caríssimos jovens!

            É-me grato anunciar-vos que em outubro de 2018 se celebrará o Sínodo dos Bispos sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». Eu quis que vós estivésseis no centro da atenção, porque vos trago no coração. Exatamente hoje é apresentado o Documento preparatório, que confio também a vós como «bússola» ao longo deste caminho.

            Vêm-me à mente as palavras que Deus dirigiu a Abraão: «Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar!» (Gn 12, 1). Hoje estas palavras são dirigidas também a vós: são palavras de um Pai que vos convida a «sair» a fim de vos lançardes em direção de um futuro desconhecido, mas portador de realizações seguras, ao encontro do qual Ele mesmo vos acompanha. Convido-vos a ouvir a voz de Deus que ressoa nos vossos corações através do sopro do Espírito Santo.

            Quando Deus disse a Abraão «Sai!», o que é que lhe queria dizer? Certamente, não para fugir dos seus, nem do mundo. O seu foi um convite forte, uma provocação, a fim de que deixasse tudo e partisse para uma nova terra. Qual é para nós hoje esta nova terra, a não ser uma sociedade mais justa e fraterna, à qual vós aspirais profundamente e que desejais construir até às periferias do mundo?

            Mas hoje, infelizmente, o «Sai!» adquire inclusive um significado diferente. O da prevaricação, da injustiça e da guerra. Muitos de vós, jovens, estão submetidos à chantagem da violência e são forçados a fugir da sua terra natal. O seu clamor sobe até Deus, como aquele de Israel, escravo da opressão do Faraó (cf. Êx 2, 23).

            Desejo recordar-vos também as palavras que certo dia Jesus dirigiu aos discípulos, que lhe perguntavam: «Rabi, onde moras?». Ele respondeu: «Vinde e vede!» (cf. Jo 1, 38-39). Jesus dirige o seu olhar também a vós, convidando-vos a caminhar com Ele. Caríssimos jovens, encontrastes este olhar? Ouvistes esta voz? Sentistes este impulso a pôr-vos a caminho? Estou convicto de que, não obstante a confusão e o atordoamento deem a impressão de reinar no mundo, este apelo continua a ressoar no vosso espírito para o abrir à alegria completa. Isto será possível na medida em que, inclusive através do acompanhamento de guias especializados, souberdes empreender um itinerário de discernimento para descobrir o projeto de Deus na vossa vida. Mesmo quando o vosso caminho estiver marcado pela precariedade e pela queda, Deus rico de misericórdia estende a sua mão para vos erguer.

            Na inauguração da última Jornada Mundial da Juventude, em Cracóvia, perguntei-vos várias vezes: «As coisas podem mudar?». E juntos, vós gritastes um «Sim!» retumbante. Aquele brado nasce do vosso jovem coração, que não suporta a injustiça e não pode submeter-se à cultura do descartável, nem ceder à globalização da indiferença. Escutai aquele clamor que provém do vosso íntimo! Mesmo quando sentirdes, como o profeta Jeremias, a inexperiência da vossa jovem idade, Deus encoraja-vos a ir para onde Ele vos envia: «Não deves ter [...] porque Eu estarei contigo para te libertar» (cf. Jr 1, 8).

            Um mundo melhor constrói-se também graças a vós, ao vosso desejo de mudança e à vossa generosidade. Não tenhais medo de ouvir o Espírito que vos sugere escolhas audazes, não hesiteis quando a consciência vos pedir que arrisqueis para seguir o Mestre. Também a Igreja deseja colocar-se à escuta da vossa voz, da vossa sensibilidade, da vossa fé; até das vossas dúvidas e das vossas críticas. Fazei ouvir o vosso grito, deixai-o ressoar nas comunidades e fazei-o chegar aos pastores. São Bento recomendava aos abades que, antes de cada decisão importante, consultassem também os jovens porque «muitas vezes é exatamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução» (Regra de São Bento III, 3).

            Assim, inclusive através do caminho deste Sínodo, eu e os meus irmãos Bispos queremos, ainda mais, «contribuir para a vossa alegria» (2 Cor 1, 24). Confio-vos a Maria de Nazaré, uma jovem como vós, à qual Deus dirigiu o seu olhar amoroso, a fim de que vos tome pela mão e vos guie para a alegria de um «Eis-me!» pleno e generoso (cf. Lc 1, 38).

            Com afeto paterno,

FRANCISCO

Vaticano, 13 de janeiro de 2017.

 

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