Vigília Pascal

30-03-2016 19:53

HOMILIA DE D. ANTÓNIO CARRILHO, BISPO DO FUNCHAL

na Vigília Pascal 2016

Sé do Funchal, 26 de Março de 2016

Homens Novos, em Cristo Homem Novo!

Nesta santíssima noite de Luz, a Igreja inteira celebra e canta o maior evento e milagre da história: a Ressurreição do Senhor Jesus, a verdade central e culminante da nossa fé. Ao silêncio e tristeza de sexta-feira santa, porque o Verbo de Deus emudeceu na Cruz, sucede-se uma explosão de alegria e de incontida ação de graças: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

A celebração da Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, é a mais bela e mais longa de todas as vigílias cristãs. Com a sua admirável riqueza teológica e espiritual, integra o maior número de gestos e de símbolos da Liturgia da Igreja: liturgia da Luz, liturgia da Palavra, liturgia Baptismal e liturgia Eucarística. Apesar desta grande variedade de conteúdos, há uma profunda unidade em toda a Vigília Pascal. Nela realizamos a celebração sacramental de todo o Mistério da Salvação, que é simultaneamente mistério de Cristo e da Igreja.

A Festa da Nova Criação

Iniciámos esta solene vigília com a Liturgia da Luz, acendendo o lume novo e procedendo à bênção do Círio pascal, símbolo do Senhor Ressuscitado, verdadeira Luz do mundo. “Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade, porque a luz de Cristo, o rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo” (Precónio Pascal).

Na extensa Liturgia da Palavra fizemos memória jubilosa e agradecida dos principais acontecimentos da História da Salvação e do Amor Misericordioso de Deus pelo Seu povo, desde a criação do mundo até à plenitude da Revelação, que é Jesus Cristo, o Filho amado do Pai. Na nova criação, Deus restabelece a amizade com o homem e a mulher, pelo mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus. A Páscoa é a festa da nova criação!

Jesus está vivo!

Naquela madrugada da Ressurreição, no jardim onde estava o sepulcro do Senhor,  raiou o sol da Páscoa esplendorosa. A intuição das mulheres, que foram apressadamente ao sepulcro, com muitos aromas, transformou-se em realidade e surpresa inaudita. Jesus está vivo! “Como cristãos, somos chamados a ser sentinelas da manhã, que sabem discernir os sinais do Ressuscitado, como fizeram as mulheres e os discípulos reunidos no sepulcro na aurora do primeiro dia da semana” (Papa Francisco, Das catequeses sobre o Tríduo Pascal 2015).

As mulheres ficaram assustadas. Na verdade, o sepulcro estava aberto e apresentava sinais de vida. Um jovem, vestido de branco, interpela-as: “Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse (Mc 16,7).

Também nós cristãos, somos convidados, hoje, a deixar tudo para ver o lugar onde está o Senhor. Ele agora está junto do Pai para interceder a nosso favor, mas conserva os sinais da Sua humanidade: as chagas nas mãos, nos pés e no Lado, param nos dizer que compreende as nossas dificuldades e nos acompanha pela estrada da vida.

Sentido profundo do mistério Pascal

Irmãos, após a homilia, teremos a liturgia batismal, que nos interpela e esclarece sobre o sentido profundo e verdadeiro do mistério Pascal, a sua importância e consequências fundamentais na nossa vida de cristãos. É que pelo batismo fomos incorporados em Cristo Ressuscitado e na comunhão com o seu corpo místico, que é a Igreja. “Fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo Ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova” (Rom 6, 4).

Por isso, S. Paulo convida-nos a viver a verdadeira liberdade, morrendo para o pecado e vivendo uma vida para Deus, como Homens Novos em Cristo Homem Novo. E profundamente agradecidos, renovaremos as promessas do Batismo, proclamando a nossa fé diante da comunidade e afirmando o compromisso de percorrer caminhos de vida nova em Cristo Jesus.

A Liturgia Eucarística, por sua vez, é o ponto culminante da celebração desta Vigília. A Eucaristia, memorial da Morte e Ressurreição de Jesus, contém na verdade, todos os tesouros espirituais da Igreja. A comunidade dos crentes habitada e congregada pelo Espírito Santo, participa no Banquete Pascal, vive a comunhão da caridade e anuncia com júbilo a sua fé no Senhor Ressuscitado. A Eucaristia é verdadeiramente mistério da fé para a vida do mundo, fonte de amor e de vida em abundância.

A nova Luz da Páscoa

Páscoa é a festa das festas. É o triunfo da glória do amor e da vida do Ressuscitado no coração da história da Humanidade. É a festa da vida no coração da Igreja e do mundo, da alegria e da esperança no Senhor Jesus, o novo Cordeiro Pascal. É convite a escutar a Palavra, para “conhecer o coração de Deus”, como disse S. Gregório Magno, a participar na celebração eucarística e na actividade missionária da Igreja.

Caríssimos irmãos e irmãs: sede testemunhas da Ressurreição! Que todos levem consigo a nova Luz da Páscoa; iluminem e contagiem a família e a sociedade, privilegiando a presença de Cristo nos pobres, doentes e excluídos, em todos aqueles que já não têm coragem de sonhar e de percorrer os novos horizontes da Esperança.

Uma palavra especial para vós, jovens: “Abri a Cristo os vossos corações, deixai-vos inundar pela Luz da Páscoa e contagiar pelo dinamismo do glorioso Ressuscitado. Dizei e testemunhai aos vossos amigos e colegas, com a alegria e a força da vossa juventude, que o Senhor Ressuscitou verdadeiramente e está para sempre connosco. Não esqueçais: o Senhor está sempre “on line” convosco e jamais se desliga do contacto que vocês queiram estabelecer com Ele (cf. Homilia de Domingo de Ramos).  

Boas Festas Pascais

Que a Mãe de Ternura e Misericórdia, que aguardou em silenciosa oração o triunfo do Seu Filho Jesus, nos acompanhe no percurso Pascal. Que a Senhora da Ressurreição, Causa da nossa Alegria, nos acompanhe sempre e nos ajude a percorrer caminhos de vida nova, em jubilosa esperança. São Leão Magno diz-nos que “Jesus se apressou a ressuscitar quanto antes, porque tinha pressa em consolar sua Mãe e os discípulos” (Sermão 71,2).

A toda a comunidade diocesana da Madeira e Porto Santo, aos que nos visitam e aos nossos emigrantes, desejo Boas Festas Pascais no glorioso Ressuscitado. Cristo está vivo, acompanha-nos pela estrada da vida e aquece os nossos corações. O Senhor Ressuscitou verdadeiramente. Aleluia! Que a plenitude da Paz, da Luz e da Alegria do Ressuscitado inundem os vossos corações e os das vossas famílias. Aleluia! Aleluia!

Funchal, 26 de Março de 2016

† António Carrilho, Bispo do Funchal

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