Semana da Misericórdia em Santa Cruz

23-05-2016 10:00

Palavras de D. António Carrilho, Bispo do Funchal, na abertura

da Semana da Misericórdia, em “Ano Jubilar da Misericórdia”

 

Santa Cruz, 23-31 de Maio 2016

 

 

Quero, em primeiro lugar, saudar todos os presentes nesta sessão e, desde já, quantos vierem a participar nas atividades programadas para toda a “Semana da Misericórdia”, organizada pela Misericórdia de Santa Cruz, em colaboração com outras instituições sociais, e que decorrerá, de 23 a 31 de Maio, em diversos centros e com temáticas complementares.

Vendo o programa – conferências e painéis, temas e oradores – , facilmente nos damos conta de muitas das atuais preocupações das Misericórdias da Madeira e dos caminhos de futuro, que queremos encontrar ou aperfeiçoar e percorrer. As temáticas propostas muito poderão contribuir para aprofundar o conhecimento da verdadeira identidade eclesial das Misericórdias, na sua inspiração (as Obras de Misericórdia), atividade e importância (lares, hospitais, etc…), nas marcas culturais que permanecem (igrejas, capelas, outros edifícios e tradições) e continuam a suscitar. 

O testemunho do amor

Ao longo de mais de cinco séculos as Misericórdias foram sempre capazes de olhar com amor e ajudar quem mais precisa: cada tempo com desafios novos e respostas novas, mas sempre marcadas pelo espírito fundacional do amor-caridade, a grande marca de quem se coloca no seguimento de Cristo (cf Mt 25,31-40).

O Papa Francisco surpreendeu-nos, mais uma vez, ao proclamar o Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia, com o lema “Misericordiosos como o Pai” . Na Bula da Proclamação, de 11 de Abril de 2015, ele faz-nos um desafio muito direto, a nós todos e às Santas Casas de Misericórdia: “É meu vivo desejo que o povo cristão reflita, durante o Jubileu, sobre as Obras de Misericórdia corporais e espirituais. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. A pregação de Jesus apresenta-nos estas obras de misericórdia para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos. Redescubramos as obras de misericórdia corporais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os pobres, enterrar os mortos. E não esqueçamos as obras de misericórdia espirituais: aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as pessoas molestas, rezar a Deus pelos vivos e defuntos” (n.15).

Acolhamos, pois, este desafio do Papa Francisco para o Ano Santo da Misericórdia. A ação social e caritativa da Igreja, partindo da Palavra de Jesus, coloca-nos diante de todas as pessoas e de cada pessoa, olhando a sua realidade muito concreta, as suas necessidades básicas e fundamentais, não olhando, apenas para o foro espiritual e religioso: tudo aquilo que é humano deve ser atendido e merecer a nossa atenção, sempre que se manifestam necessidades.

A celebração desta Semana, entre outras atividades programadas no âmbito do dia das Misericórdias (31 de Maio), constituirá, certamente, para as Misericórdias da Madeira mais uma oportunidade de olharem em frente, renovando-se e projetando-se, sempre no respeito da sua identidade, vocação e missão eclesiais. Como recordou a Conferência Episcopal Portuguesa, em Nota Pastoral de 31 de Maio de 1998, “as Misericórdias não são meras instituições filantrópicas, por muito beneméritas que se afigurem (...). Elas devem considerar-se expressões organizadas do exercício da caridade do Povo de Deus, em favor dos necessitados” ( As Misericórdias Portuguesas em Ano Jubilar, n.5).

Com a bênção da padroeira

Termino, evocando a padroeira, Nossa Senhora da Misericórdia, a quem consagramos o presente e o futuro das Santas Casas, pedindo as maiores bênçãos para os atuais e futuros Irmãos, dirigentes, profissionais, utentes e benfeitores, e que nunca faltem recursos e apoios para novos projetos e para os projetos de sempre.

Parabéns e obrigado, mais uma vez, às Santas Casas da nossa Diocese por tudo quanto foi feito, até hoje, e por tudo o que está em projeto fazer, com fé, confiança e coragem, sulcando as 14 Obras de Misericórdia.

Bem hajam! E que a Senhora da Misericórdia vos abençoe.

 Funchal, 23 de Maio de 2016

† António Carrilho, Bispo do Funchal

 

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