Mensagem no anúncio diocesano do Jubileu da Misericórdia

22-11-2015 16:00

Mensagem do Bispo do Funchal

no anúncio diocesano do

 Jubileu da Misericórdia

 

Acolher, viver e anunciar a Misericórdia de Deus

 

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai” (Misericordiae Vultus, MV, 1). Com estas palavras da Bula “O Rosto da Misericórdia”, proclamou o Papa Francisco um jubileu extraordinário, o Ano Santo da Misericórdia. Deste modo, a Igreja é chamada a viver, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de Novembro de 2016, um tempo especial de graça, de esforço de conversão, para voltar ao essencial da mensagem cristã; é chamada a redescobrir e a sentir a beleza e a ternura de Deus, a revigorar a fé, a saborear e testemunhar a alegria de seguir Jesus com generosidade. E a Igreja somos todos e cada um de nós!

Normalmente, o Ano Santo ou Jubileu celebra-se de 25 em 25 anos. No entanto, em circunstâncias especiais, a Igreja, por vontade do Papa, pode proclamar um Ano Santo extraordinário. Assim acontece com o presente Jubileu da Misericórdia, um momento extraordinário de graça e renovação espiritual para cada cristão, para todo o povo de Deus.

É um convite a fixarmos o nosso olhar e o nosso coração no estilo de vida de Jesus, na forma como Ele se relacionava com os outros, nas Suas palavras, gestos e atitudes, na Sua vida de total entrega por todos nós. É um desafio que toda a Igreja irá abraçar, certamente, numa caminhada de renovação, de descoberta de uma linguagem mais acessível e adaptada ao nosso tempo, de participação alegre e feliz na missão de Jesus Salvador.

Diz-nos o Papa Francisco que nada na Igreja, na sua pastoral e missão, pode estar desprovido da Misericórdia (cf. MV, 10). A Misericórdia é Deus que nos ama e jamais desiste de nós. Ele deseja o nosso bem e a nossa felicidade. Tal como Ele é Misericordioso, também nós somos chamados a ser misericordiosos, uns para com os outros (cf. MV, 9).

Centralidade da Sé e as outras igrejas jubilares

É desejo do Papa que o Jubileu não se limite a Roma, mas se estenda a toda as Igrejas locais, tornando possível que em cada Catedral também se abrisse a Porta Santa. Respondendo a este apelo, na nossa Diocese iniciar-se-á o Ano da Misericórdia, no dia 13 de Dezembro, às 16h00, com a peregrinação a partir da Igreja do Colégio, a culminar na abertura da Porta Santa da Misericórdia e a celebração da Eucaristia, na Sé do Funchal. Atravessaremos esta Porta Santa, que é Cristo, com plena confiança de sermos acompanhados pelo Seu amor e com a vontade firme de renovar em nós a fé, a esperança e a caridade, a misericórdia em cada palavra, gesto e atitude. Será como que a entrada ao encontro de Jesus e a saída para a missão, levando também aos outros a alegria e a misericórdia do Evangelho.

Escutando os Arciprestados e o Conselho Presbiteral, escolheram-se oito igrejas jubilares. Serão pontos de convergência para os fiéis, chamados a peregrinar em atitude de conversão, com o desejo de encontro com o Senhor de todo o coração, para melhor O amar e O dar a conhecer, com palavras e gestos de misericórdia. Serão igrejas de portas abertas, com tempos indicados para a celebração da Reconciliação, momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento e de reflexão sobre a Misericórdia de Deus. Igrejas onde os fiéis poderão viver o dinamismo da conversão, libertando-se das marcas e consequências do pecado, crescendo e fortalecendo-se no espírito de caridade e serviço fraterno, dispondo-se a agir com misericórdia.

Distribuídas pelos diversos arciprestados da Diocese do Funchal, as igrejas jubilares são a Sé, Piedade (Porto Santo), Estreito de Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Prazeres, Ponta Delgada, Santana e Machico, igrejas que serão devidamente assinaladas.

As múltiplas peregrinações à Sé, onde se atravessará a Porta Santa, no âmbito da centralidade que lhe é devida e para além do seu sentido jubilar de carácter geral, revestem-se de um significado particular no percurso que queremos realizar, como preparação das comemorações dos 500 anos da Dedicação da nossa Catedral, em 18 de Outubro de 2017. Será, então e desde já, assim o esperamos, mais um tempo forte de graça e maior compromisso eclesial para toda a Diocese.

Uma pastoral da Misericórdia

Convido, por isso, todas as paróquias, secretariados, institutos de vida consagrada, obras e movimentos laicais a viverem a Misericórdia, e a promovê-la ao longo deste ano pastoral, em toda a sua programação e atividades. Convido todos os fiéis a serem discípulos missionários de Jesus, numa Igreja em saída, acolhedora e aberta, que no meio do mundo seja sinal da presença de Deus, rico em misericórdia; que reflete sobre as obras de misericórdia e as vive, no seu quotidiano, na atenção e cuidado pelos outros. Uma Igreja reconciliada e reconciliadora, que testemunha o perdão e celebra a Reconciliação. Uma Igreja promotora da união das famílias, da proximidade dos grupos e dos sítios, da reconciliação na sociedade em geral. E que as nossas comunidades cristãs façam a experiência da indulgência jubilar, como experiência profunda de encontro com Deus e com os irmãos.

Durante este tempo de graça, nas três primeiras semanas da Quaresma de 2016, iremos ter entre nós a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que ao longo de um ano, de Maio 2015 a Maio 2016, percorre todas as dioceses de Portugal, em preparação do centenário das aparições da Cova da Iria (2017). Que Maria, Mãe da Misericórdia, nos ajude a viver, com alegria e fidelidade, a beleza e a riqueza espiritual deste Ano Santo, escutando e pondo em prática as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7) e “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

 

 

Funchal, 22 de Novembro 2015

 

Solenidade de Cristo Rei

 

†António Carrilho, Bispo do Funchal

 

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