Homilia no Domingo de Ramos

09-04-2017 11:00

Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal,

no Domingo de Ramos, 32ºDia Mundial da Juventude

Sé do Funchal, 9 de Abril de 2017

A Cruz, sinal de esperança e de amor!

"Bendito o que vem em nome do Senhor" (Lc 19,38). Em profunda comunhão com toda a Igreja, recordamos hoje a entrada triunfal de Jesus, o Rei Messiânico, na cidade de Jerusalém, e proclamamos o Mistério da sua Paixão, que ali teve lugar. O Domingo de Ramos é, assim, a porta que abre solenemente a Semana Santa, na qual se celebra e atualiza o acontecimento mais importante da nossa fé cristã: o Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Celebramos hoje, também, o 32º Dia Mundial da Juventude. Desde já vos saúdo, queridos jovens, com muita alegria e amizade, e em vós, aqui presentes, saúdo todos os jovens da Diocese. E convido-vos a reconhecer e a aclamar Jesus Cristo, único Salvador do mundo, com os ramos da vossa alegria e entusiasmo e as capas da vossa generosidade e amor.

A grande lição de Jesus

Na Encarnação e na Sua morte de Cruz, Jesus assumiu a nossa frágil natureza humana e a história concreta de cada um de nós, em todo o seu mistério de bem e de pecado, de sonhos e aspirações, de lutas e dificuldades, de alegrias e sofrimentos. Pelo Seu mistério Pascal, Ele abriu-nos o caminho da esperança e da vida, apontando para a nossa participação na Sua Páscoa eterna.

O texto da Paixão, que foi proclamado, faz-nos mergulhar na imensa bondade e ternura de Cristo, o Filho Amado do Pai. A Sua morte violenta e cruel na Cruz num total abandono, traído até por muitos amigos, e o Seu silêncio perante as injustiças e insultos que sofreu, e o Seu perdão aos malfeitores ficam como exemplo de entrega e de amor para todos nós. Com Jesus aprendemos a perdoar e a amar sem limites. Ele não Se valeu da condição divina, mas humilhou-Se a Si mesmo, obedecendo até à morte e morte de Cruz (cf. Fl 2,8).

A cruz tornou-se o grande testemunho e a grande lição de Jesus: Ele faz da Sua vida um dom por amor e desafia os discípulos a fazerem, também eles, das suas vidas um testemunho de amor ao serviço da Salvação dos Homens, na incarnação dos valores do Reino de Deus. O aparente fracasso e a humilhante morte na cruz tornam-se, afinal, o caminho da vitória e da glorificação! Como escreve S. Paulo, na 2.ª leitura que escutámos (Fil 2, 6-11), "por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes [...] e toda a língua proclama que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai".

A Cruz de Cristo torna-se, assim, o sinal do triunfo do Amor! Erguida ao alto, continua a atrair muitos homens e mulheres a Jesus, morto e ressuscitado; a fazer ecoar o amor, o perdão, a paz, a reconciliação e a apontar para um maior empenho na construção da fraternidade entre os povos, de que o mundo de hoje tanto carece.

32º Dia Mundial da Juventude

Na sua mensagem para este 32.º Dia Mundial da Juventude, com o tema "O Todo-poderoso fez em mim maravilhas" (Lc 1,49), o Papa Francisco convida-nos a contemplar a figura da jovem Maria de Nazaré, a Virgem Nossa Senhora, como referência e modelo para todos os jovens - uma proposta que será retomada e aprofundada, nos próximos dois anos, a culminar na JMJ de 2019, no Panamá.

Não posso deixar de vos recomendar, queridos jovens, a leitura do texto integral da Mensagem, que é muito rica e interpelativa, na linguagem direta e existencial, própria do Papa Francisco. Bom seria, também, que os vossos grupos juvenis a debatessem e aplicassem, tanto nas relações interpessoais como nos respetivos projetos, compromissos e atividades.

Partindo do Cântico do Magnificat (cf.Lc1,46-55), o Papa apresenta-nos Maria como uma "jovem cheia de fé", conhecedora da Palavra de Deus, "mulher corajosa", disponível e generosa para servir, comprometida na missão (não "jovem de sofá", como já havia dito em Cracóvia, na JMJ de 2016), com profundo sentido de louvor e ação de graças a Deus.

E por isso interpela os jovens ao aprofundamento e transmissão da fé, ao exame de consciência "no fim de cada dia", a "rezar na vida, com a vida e sobre a vida", à participação nos sacramentos da Eucaristia e Reconciliação, à construção de "tempos novos", reconhecendo e contando com a ação de Deus nas suas vidas. E deixa esta palavra de estímulo: "Como a jovem Maria, podeis fazer com que a vossa vida se torne instrumento para melhorar o mundo. Jesus chama-vos a deixar a vossa marca na vida, uma marca que determine a história, a vossa história e a história de muitos" (JMJ em Cracóvia).

Queridos jovens, a Igreja ama-vos, pensa em vós e conta convosco. Por isso está a preparar e vai realizar, em Outubro de 2018, um Sínodo dos Bispos sobre o tema: "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional". Também sois chamados a colaborar com a vossa reflexão e propostas sobre os diversos aspetos e questões da idade juvenil, não esquecendo a importância da vocação e projeto de vida, num discernimento sobre aquilo que Deus pede e espera de cada um, quer seja o matrimónio ou vida de especial consagração.

Anunciar o Evangelho com alegria

"Quando Deus toca o coração de um jovem, de uma jovem, estes são capazes de ações verdadeiramente grandiosas", escreveu o Papa na Mensagem. É assim, queridos jovens: Deixai Jesus tocar os vossos corações e as vossas vidas. Não percais a coragem e a ousadia de anunciar o seu Evangelho, com alegria e ardor apostólico. Levai a chama do amor de Cristo aos ambientes da vossa vida diária. "Sede vós o coração e os braços de Jesus" (Bento XVI).

Sabemos que, perante tantas solicitações da vida atual, não é fácil ser-se e assumir-se cada um como jovem cristão, discípulo de Jesus, feliz por ter encontrado e conhecido o Senhor, na Sua pessoa e mensagem: como proposta de sentido e projeto de vida, como amigo e mestre, luz e força para os caminhos da vossa vida. Por isso, com a ajuda dos vossos grupos, procurai "viver, em Igreja, a alegria de ser cristão" (Tema diocesano para este ano pastoral).

O grande desafio da nossa fé é, pois, partilhá-la e transmiti-la aos outros. É assim, queridos jovens: cabe a cada um de vós mostrar aos outros que a fé conduz à felicidade, a uma alegria que é verdadeira e duradoura. Levai essa alegria de Jesus aos que sofrem, aos que a procuram, às vossas famílias, às vossas escolas e universidades, aos vossos lugares de trabalho, aos vossos amigos. Contai aos outros jovens a vossa alegria de ter encontrado aquele precioso tesouro que é o próprio Jesus, usando até para o efeito as modernas tecnologias.

Acolher a força da esperança

Vamos continuar a nossa Eucaristia deste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. Conscientes das exigências, problemas e sacrifícios do tempo presente, saibamos ser solidários com todos, enfrentar as dificuldades, unir os nossos sofrimentos à cruz redentora de Cristo e acolher a força da alegria e da esperança, que brotam da Sua feliz Ressurreição.

Com a santa Mãe de Deus, que acompanhou e encarnou no seu coração a vida e o mistério de Jesus, desejo à comunidade diocesana da Madeira e Porto Santo uma frutuosa semana santa, na contemplação do mistério Pascal de Cristo e na ajuda aos que mais precisam.


Funchal, 9 de Abril de 2017

†António Carrilho, Bispo do Funchal


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