Homilia no Domingo de Ramos

20-03-2016 22:00

Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal

Domingo de Ramos – 31º Dia Mundial da Juventude

Sé do Funchal, 20 de Março de 2016

Felizes os misericordiosos!

É com profunda alegria e em especial comunhão com toda a Igreja e com o nosso Papa Francisco, grande sinal de esperança para o mundo atual, que celebramos o domingo de Ramos, neste Ano Santo da Misericórdia. Dando início à Semana Santa, preparamo-nos para recordar, atualizar e viver o admirável mistério da Páscoa de Cristo.

Celebramos hoje, também, o 31º Dia Mundial da Juventude. Desde já vos saúdo, queridos jovens, com muita alegria e amizade, e em vós aqui presentes, saúdo todos os jovens da Diocese. E convido-vos a reconhecer e a aclamar Jesus Cristo, único Salvador do mundo, com os ramos da vossa alegria e entusiamo e as capas da vossa generosidade e amor.

Na procissão dos Ramos, que precedeu esta Eucaristia, fizemos memória e evocámos o triunfo de Cristo na entrada solene em Jerusalém, para realizar a Sua missão redentora. Do monte das Oliveiras até à cidade santa, num crescente entusiasmo da multidão em festa, montado num jumentinho, Jesus é aclamado Rei e Messias: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 19,38). Uma caminhada que O conduziria ao processo de condenação à morte na cruz e também ao triunfo admirável da gloriosa Ressurreição.

O glorioso mistério do Amor

Na Encarnação e na Sua morte de Cruz, Jesus assumiu a nossa frágil natureza humana e a história concreta de cada um de nós, em todo o seu mistério de bem e de pecado, de sonhos e aspirações, de lutas e dificuldades, de alegrias e sofrimentos. Pelo Seu mistério Pascal, Ele abriu-nos o caminho da esperança e da vida, apontando para a nossa participação na Sua Páscoa eterna.

O texto da Paixão, que foi proclamado, faz-nos mergulhar na imensa bondade e ternura de Cristo, o Filho Amado do Pai. A Sua morte violenta e cruel na Cruz num total abandono, traído até por muitos amigos, e o Seu silêncio perante as injustiças e insultos que sofreu, e o Seu perdão aos malfeitores ficam como exemplo de entrega e de amor para todos nós. Com Jesus aprendemos a perdoar e a amar sem limites. Ele não Se valeu da condição divina, mas humilhou-Se a Si mesmo, obedecendo até à morte e morte de Cruz (cf. Fl 2,8). Ele é o rosto da misericórdia do Pai!

A cruz tornou-se o grande testemunho e a grande lição de Jesus: Ele faz da Sua vida um dom por amor e desafia os discípulos a fazerem, também eles, das suas vidas um testemunho de amor ao serviço da Salvação dos Homens, na incarnação dos valores do Reino de Deus. O aparente fracasso e a humilhante morte na cruz tornam-se, afinal, o caminho da vitória e da glorificação! Como escreve S. Paulo, na 2.ª leitura que escutámos (Fil 2, 6-11), “por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes [...] e toda a língua proclama que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.

A Cruz de Cristo é o sinal do triunfo do Amor! Erguida ao alto, continua a atrair muitos homens e mulheres a Jesus, morto e ressuscitado; a fazer ecoar o amor, o perdão, a paz, a reconciliação e a apontar para um maior empenho na construção da fraternidade entre os povos. 

Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude

Neste 31º Dia Mundial da Juventude, num olhar retrospetivo, a memória devolve-nos aquela habitual visão de um mar de Jovens nos Encontros com São João Paulo II e seus sucessores. Com a Cruz das Jornadas Mundiais, grande sinal e referência dessas celebrações, os jovens eram convidados, e continuam a ser convidados, a contemplar o mistério da Cruz redentora e da Luz da Páscoa. A Cruz tonou-se sinal da vitória definitiva do amor!

O Papa Francisco, tendo em conta o Ano Jubilar da Misericórdia, escreveu uma Mensagem para este dia, com o tema: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). Além de se apresentar como preparação para o Encontro Mundial em Cracóvia, na Polónia, procura ser uma resposta aos grandes desafios, anseios e aspirações dos jovens, no contexto do mundo atual. Nela ressoa o apelo à atenção e generosidade de todos para ajudar quem mais precisa, nomeadamente através das obras de misericórdia.

Referindo-se, nesta Mensagem, à cruz das JMJ’s escreve o Papa Francisco: “Sei como todos vós amais a cruz das JMJ’s – dom de São João Paulo II – que, desde 1984, acompanha todos os vossos Encontros Mundiais. Na vida de inúmeros jovens, quantas mudanças – verdadeiras e próprias conversões – brotaram do encontro com esta cruz singela! Talvez vos tenhais posto a questão: donde vem esta força extraordinária da cruz? Aqui tendes a resposta: a cruz é o sinal mais eloquente da misericórdia de Deus. Atesta-nos que a medida do amor de Deus pela humanidade é amar sem medida. Na cruz, podemos tocar a misericórdia de Deus e deixar-nos tocar pela sua própria misericórdia”.

Alegro-me com a passagem desta Cruz pela nossa Diocese. Ela está aqui no meio de nós! Que seja, na verdade, um sinal interpelativo para todos e em especial para os jovens, nos lugares por onde passar e nas celebrações em que possa estar presente. Ela traz consigo a força da comunhão e do testemunho de muitos milhares de jovens que já tiveram e têm a graça de participar nestes encontros mundiais.

A coragem de sonhar

Queridos jovens da Madeira e Porto Santo, quero dirigir-me particularmente a cada um de vós, que sois a esperança, o futuro da humanidade e da Igreja. Deixai Jesus tocar os vossos corações e as vossas vidas. Não percais a coragem de sonhar e a ousadia profética de anunciar o seu Evangelho com paixão, alegria e ardor apostólico. “Levai a chama do amor misericordioso de Cristo aos ambientes da vossa vida diária e até aos confins da terra” (Mensagem,4). Sede testemunhas alegres e credíveis do seu Amor indizível e da sua misericórdia infinita. Sede vós o coração e os braços de Jesus!

Perante tantas solicitações, que vos chegam, não é fácil ser-se e assumir-se cada um como jovem cristão, discípulo de Jesus, feliz por ter encontrado e conhecido o Senhor, na Sua pessoa e mensagem: como proposta de sentido e projeto de vida; como amigo e mestre, luz e força para os caminhos da nossa vida.

O grande desafio da nossa fé é partilhá-la e transmiti-la aos outros. É assim, queridos jovens: cabe a cada um de vós mostrar aos outros que a fé conduz à felicidade, a uma alegria que é verdadeira, completa e duradoura. Levai a alegria de Jesus aos que sofrem, aos que a procuram, às vossas famílias, às vossas escolas e universidades, aos vossos lugares de trabalho, aos vossos amigos. Contai aos outros jovens a vossa alegria de ter encontrado aquele precioso tesouro que é o próprio Jesus! Sejam, portanto, missionários entusiastas da nova evangelização!

Sei que dominais muito bem as modernas tecnologias. Utilizai as redes sociais para falar de Jesus, da sua Palavra e do seu amor por cada um de nós, por todos os homens e mulheres. Que o vosso coração esteja sempre “on line” com Jesus. Comunicai e partilhai com os outros jovens os vossos ideais e projetos de vida cristã, sem esquecer aqueles que não têm fé ou perderam a alegria de viver. Convidai-os a fazer amizade com Jesus. Ele é um verdadeiro Amigo! Sede discípulos missionários!

Acolher a força da esperança

Vamos continuar a nossa Eucaristia deste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor. Conscientes das exigências, problemas e sacrifícios da presente conjuntura económica e social, saibamos ser solidários com todos os que sofrem, enfrentar as dificuldades, unir os nossos sofrimentos à cruz redentora de Cristo e acolher a força da alegria e da esperança, que brotam da Sua feliz Ressurreição.

Com a santa Mãe de Deus, que acompanhou e encarnou no seu coração a vida e o mistério de Jesus, desejo à comunidade diocesana da Madeira e Porto Santo uma frutuosa semana santa, na contemplação do mistério Pascal de Cristo e na ajuda aos que mais precisam.

Ó Maria, Mãe de Misericórdia, rogai por nós!

 

Funchal, 20 de Março de 2016

†António Carrilho, Bispo do Funchal

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