Homilia na Ordenação Diaconal - 2016

23-12-2016 22:28

Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal,

na Ordenação Diaconal

Sé do Funchal, 18 de Dezembro de 2016

Diáconos para o serviço da Palavra e da Caridade

Alegra-se a Igreja do Funchal, alegra-se e rejubila toda a Igreja, porque aqui, neste dia, o Senhor mais uma vez colocou sobre ela os Seus olhos de bondade, concedendo-lhe a graça de um novo Diácono, em vista do sacerdócio, para o serviço da nossa Diocese. É o Carlos Ismael Faria Almada que acaba de ser apresentado a esta assembleia e a quem me dirijo, agora, com muita amizade e muita esperança.

Caríssimo Carlos Ismael, vais receber o dom do ministério ordenado, em pleno tempo do Advento, tempo de preparação para o Natal, tempo de esperança renovada e fundada na experiência do encontro com Cristo, aprofundada ao longo do percurso de formação já realizado. Hoje podes dizer como o profeta Isaías: “Vós, Senhor, sois o nosso Pai, e nós o barro de que sois oleiro; somos obra das Vossas mãos” (Is 64,7).

Damos, por isso, graças a Deus pelas maravilhas que Deus fez na tua vida; damos graças por todos aqueles que para ti, ao longo dessa tua vida, foram sinal de Deus, que te chamou e acompanhou, desde as tuas raízes, na tua família e na paróquia do Campanário. Damos graças, também pelos que te acompanharam e apoiaram, nos Seminários e Equipas Formadoras, aqui no Funchal e em Lisboa, em São José de Caparide e nos Olivais, na Universidade Católica e nas paróquias, que te proporcionaram experiência pastoral. Em suma, damos graças a Deus por todos os que te ajudaram a crescer, a discernir e a optar pela vocação assumida.

O “Sim” de Maria e de José  

É tempo de Advento, já bem perto do Natal do Senhor. Como é bom ver o Povo de Deus a preparar o seu coração para a festa do nascimento de Jesus com esperança, na escuta atenta da Palavra de Deus, na celebração dos sacramentos e nas Missas do Parto, com invocações e cânticos à Virgem Maria,  no encontro e convívio das comunidades. Preparando o nosso coração, preparamos o mais belo presépio, onde Deus possa nascer e ser dado ao mundo atual, num testemunho de alegria e santidade.

A liturgia de hoje, IV Domingo do Advento, põe em relevo uma profecia de Isaías e a vocação de São José. Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia o nascimento do filho de uma jovem, a quem seria dado o nome de Emanuel, Deus connosco. Não é um Deus distante e despreocupado da vida do Seu povo; é um Deus que vem para salvar a Humanidade. Acaz, rei de Judá, perante a forte ameaça de guerra e destruição, parecia confiar mais nas forças humanas do que em Deus, mas foi interpelado pelo profeta Isaías com este sinal de esperança: “A Virgem conceberá e dará à luz um filho, e seu nome será Emanuel”.

Como sacerdotes e diáconos, a nossa missão leva-nos ao encontro dos irmãos, procurando tornar Cristo próximo de todos. Pertencer a Cristo implica ser “discípulo missionário”, chamado e enviado a prolongar a ação do Mestre. Como diz o Papa Francisco, somos mediadores de Cristo.

O Evangelho apresenta-nos a vocação de São José. Deus escolheu José e ele acolhe, com fé e generosidade, o desafio que lhe foi dirigido pelo Anjo Gabriel, aceitando receber Maria como sua esposa. Tal como o “Sim” de Maria na Anunciação reclama e estimula novos “sins” para o serviço do Reino de Deus, assim também o testemunho de José nos mostra a sua generosidade, a grandeza da sua fé, a sua disponibilidade e obediência à vontade de Deus. Que Deus possa habitar em nós e, através do nosso “sim”, Cristo nasça no coração do nosso mundo.

Anunciar o Evangelho hoje

Irmãos, Maria ao receber a feliz notícia da vinda de Jesus não a guardou só para ela: foi ao encontro de Isabel, tornou-se comunicadora da Boa Nova. A exemplo de Maria possamos correr apressadamente e dar a conhecer a nossa alegria e a nossa esperança que é Jesus.

Em tempo de Advento, a Igreja não pode deixar de sentir mais viva a consciência da sua responsabilidade de anunciar o Evangelho aos homens e mulheres de hoje, com os seus anseios e dificuldades, dúvidas e problemas, alegrias e tristezas. Compete-lhe colocar Cristo no centro do mundo, deste mundo concreto em que vivemos, com as suas múltiplas e extraordinárias possibilidades técnicas e científicas, mas também com as suas limitações e perplexidades, quanto ao sentido da vida humana e a certos valores do humanismo cristão.

Anunciar o Evangelho é apresentar a própria pessoa de Cristo, como Alguém que aponta e abre caminhos de resposta às grandes aspirações e inquietações do coração humano, como Alguém que pode saciar a nossa fome e sede de felicidade. Deus aproxima-se da Humanidade no rosto de Jesus Menino. Não é um Deus que obriga ou se impõe: naquela ternura e na simplicidade de Belém percebemos o modo de agir de Deus, um Deus paciente e bondoso, cheio de misericórdia, que convida, propõe novos caminhos e nos cativa, sempre de novo, para Ele.

No atual contexto de dificuldades e carências básicas, de preocupações e sofrimento para muita gente, celebrar o Advento e o Natal obriga a Igreja, obriga cada um de nós, segundo a própria vocação, a intensificar uma ação de proximidade fraterna, que leve aos nossos irmãos a luz da fé e a coragem da esperança, como testemunho e anúncio de quem acredita e acolhe Jesus Salvador.

Ao novo Diácono

“Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou... Pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros” (Gal 5,1.13). Caro Carlos Ismael, foi este texto bíblico que escolheste como lema para o teu diaconado. Na verdade, como Cristo serviu, em liberdade e serviço fraterno, assim também deverás viver a tua vocação, colocando n’Ele o teu olhar e aprendendo o seu exemplo. Como refere o Ritual da ordenação, na tua condição de Diácono, ou seja, de ministro de Jesus Cristo, que no meio dos discípulos Se apresentou como Servo, procura pois, tu também, de todo o coração fazer com amor a vontade de Deus, e servir com alegria, aqueles que te forem confiados, particularmente no serviço da Palavra, do altar e da caridade.

Enraizado e firme na fé, mostra nas obras a Palavra de Deus que anuncias com os lábios. Procura, assim, dar bom testemunho no Espírito Santo e cheio de sabedoria, apontar os caminhos do Senhor. E conta sempre com a fidelidade de Deus, que não falta, e com a oração da Igreja, que se interessa e empenha, cada vez mais, por todas as vocações de especial consagração, por todos os consagrados.

Apelo aos Jovens

E antes de terminar, quero dirigir uma palavra aos jovens da Diocese: neste tempo que é o nosso, em que muitas vezes se questionam as opções de caráter definitivo, tomadas para toda a vida, não tenhais medo: abri os vossos corações e deixai-vos tocar pelo “sim” da jovem de Nazaré, Maria Mãe de Jesus. E hoje, também, pelo sim deste jovem, o Carlos Ismael, que vai ser ordenado Diácono.

Construir a felicidade implica deixar os medos e escancarar o coração a Deus, feito Menino em Jesus, a grande esperança para o mundo. Ele convida-nos a todos a construir um mundo novo, mas Ele pode chamar e chama alguns jovens, rapazes e raparigas, a segui-l’O numa entrega de especial consagração à vida sacerdotal, religiosa e missionária. Estai atentos ao chamamento de Deus, na intimidade dos vossos corações, e sede generosos na vossa resposta!

Testemunho do novo Diácono

É este o testemunho do Carlos Ismael, a propósito da sua Ordenação Diaconal: «Ao longo dos anos de Seminário fui-me habituando a ver os meus colegas mais velhos a serem ordenados diáconos e padres. Bom...agora é a minha vez! Sei que não é o tempo para perceber tudo; é tempo para fazer silêncio e avançar. Depois deste tempo de procura e aprendizagem no Senhor, estou consciente do que agora me pede: que me consagre a Ele, servindo a Igreja do Funchal

É tempo de continuar o caminho, olhando em frente, sedimentando a minha vida no Senhor, que me amparou e fortaleceu e promete ser fiel até ao fim! Sou apenas o discípulo, que tenta seguir o Mestre, como Ele pediu: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me” (Lc 9,23).

Embora consciente de que “o caminho se constrói caminhando”, eu digo neste dia da minha ordenação, com profunda e generosa convicção: “Presente!” Manifesto, assim, a minha total e pronta disponibilidade para ser apóstolo ao serviço do Seu Evangelho.

Com um coração disponível, reconhecendo as maravilhas que Deus fez e faz em mim, abdico da minha vida pessoal a favor de outros: isto para mim chega. Não poderia deixar de ser assim: Ele chamou-me e eu respondi como Maria: “Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38)».

Prece a Maria-Mãe

A Maria-Mãe, Senhora do Advento e Senhora do “Sim”, suplicamos as maiores bênçãos para o novo Diácono, suas famílias e toda a nossa assembleia. Santo e feliz Natal para todos! E que a luz de Belém resplandeça sobre nós: Jesus é a razão da nossa alegria e da nossa esperança!

 

Funchal, 18 de Dezembro de 2016

† António Carrilho, Bispo do Funchal

 

 

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