Homilia na Missa do Monte - 2017

15-08-2017 22:18

HOMILIA DE D. ANTÓNIO CARRILHO, BISPO DO FUNCHAL

na Solenidade de Nossa Senhora do Monte

Padroeira da Cidade do Funchal e de toda a Diocese

 

Monte-Funchal, 15 de agosto de 2017

 

Maria, sinal de esperança e de vida

 

 

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre, Jesus” (Lc 1, 42). – Assim canta hoje a Igreja, na multidão dos seus filhos, espalhados pelo mundo, na alegre solenidade litúrgica da Assunção de Nossa Senhora ao Céu; assim cantamos nós, em comunhão com a Igreja universal, ao celebrarmos, aqui, a Festa de Nossa Senhora do Monte, Padroeira da Cidade e da Diocese do Funchal.

Como foi bom preparar esta festa, os nossos corações, ao longo das novenas aqui celebradas, na igreja do Monte, de forma tão vividas e participadas. Nestes dias, cada um de nós e o coração de tantos outros irmãos nossos, voltam-se para o alto deste monte e recorrem à Virgem Mãe de Deus. É todo um povo que se congrega para louvar Maria-Mãe, para se aproximar dela e com ela escutar e meditar a Palavra de Deus.

No coração da Diocese

Que essa Palavra ilumine a nossa vida e faça crescer em nós a fé, a esperança e a caridade, pois sempre que nos aproximamos de Nossa Senhora, ela abre-nos caminho ao encontro de Cristo: ela sempre aponta para o seu Filho e favorece o encontro com Ele. E encontrar Cristo é voltar-se para o mundo e para os outros nossos irmãos, com generosidade e muito amor, com o poder transformador da fé.

É assim, desde a grande aluvião de 1803, quando a Senhora do Monte foi escolhida para Padroeira; e será sempre assim, na medida em que os corações se abram ao amor e à misericórdia de Deus e confiem n’Ele para construírem as próprias vidas e se empenharem na edificação de um mundo melhor, mais justo e fraterno, sob o olhar de ternura da Virgem Mãe. É assim, sempre que nos momentos de angústia e de medo ou de agradecimento pelas graças recebidas, alguém se eleva a este monte, elevando-se ao coração da Mãe e padroeira. E neste encontro de fé e confiança, toda a vida se reabastece e retoma novos caminhos de ânimo e de esperança.

Irmãos, uma saudação amiga e fraterna para todos os presentes e quantos nos acompanham através da RTP/Madeira, do Posto Emissor do Funchal e da internet. Uma saudação especial para os idosos, doentes e reclusos, e a nossa comunhão com todos os irmãos emigrantes, que em terras distantes vivem e testemunham a sua fé, lembrando em particular aqueles que, na Venezuela, vivem momentos de dor e incerteza, forçados em muitas situações a terem de refazer as suas vidas e regressar às suas terras. Que Nossa Senhora do Monte a todos abençoe, fortalecendo a fé, o ânimo e a coragem da esperança!

Festa de consolação e de esperança

A celebração litúrgica de Nossa Senhora da Assunção é uma das mais antigas festas marianas. Celebrar esta festa é proclamar, sempre de novo, que a Virgem Maria, ao terminar a sua vida na terra, foi elevada à glória do céu em corpo e alma. Desde os primeiros séculos, a Igreja acreditou neste mistério, que envolveu Nossa Senhora na gloriosa Ressurreição de seu filho Jesus, mas foi só em 1950 que o Papa Pio XII proclamou como dogma de fé este admirável mistério mariano. Como podia ficar no sepulcro aquela que acreditou na Palavra do Pai e concebeu Jesus? A Virgem Imaculada não podia, segundo a fé da Igreja, estar sujeita à corrupção da morte.

Como ouvimos na segunda leitura (2Cor 15, 20-27), S. Paulo sublinha o grande alcance teológico da Ressurreição: “em Cristo todos serão restituídos à vida”. A Virgem Maria foi a primeira a participar desta vitória sobre a dor e a morte, como primícias de esperança para todos os batizados em Cristo. Criados à imagem e semelhança de Deus, o homem e a mulher são chamados a viver eternamente com Ele. A Senhora da Assunção é, assim, sinal de consolação e esperança para o nosso peregrinar.

Vitória da bondade e do amor

No texto do Apocalipse, na primeira leitura, percebe-se que a figura do dragão é a força do mal, da violência e do ódio, mas a força do bem, da bondade, da mansidão e da misericórdia sai vitoriosa, por Cristo filho de Maria. A morte e o mal foram vencidos, derrotados pela força da ternura e do bem. Surge no texto a figura singular da “Mulher revestida de sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12,1). “Este sinal grandioso” é Maria, a excelsa figura da Igreja, que depois dos sofrimentos e lutas desta vida, foi revestida da Luz do Ressuscitado, com toda a beleza e esplendor.

Em Maria, Cristo aponta o caminho da participação da Igreja na Sua gloriosa Ressurreição. Deus venceu, o Amor venceu. Venceu a vida. Só Deus tem a verdadeira força: a sua força é bondade e amor. A Assunção de Maria é, pois, sinal de consolação, mas é também um estímulo, uma exigência e um compromisso para nos colocarmos do lado do bem, da fraternidade, da união e da paz.

Com Maria, uma Igreja em saída

Nesta solenidade a liturgia da Igreja convida-nos a centrar a nossa atenção no Evangelho da visitação de Nossa Senhora à sua prima santa Isabel (cf Lc 1,39-56). Diz-nos que a Virgem Maria não guardou só para ela a alegria da anunciação do anjo Gabriel. Apressadamente saiu de casa e correu para visitar Isabel. Que pressa era essa? Era a pressa de quem levava uma alegria para partilhar, de quem não podia guardar Jesus só para si, mas tinha mesmo de O comunicar.

Celebrar a Assunção de Nossa Senhora é, pois, celebrar Maria como figura da Igreja e modelo do ser cristão, desta capacidade e missão de anunciar a esperança e a alegria, de anunciar Deus aos homens e às mulheres de hoje, pela palavra e pelo testemunho da atenção e ajuda a quem mais precisa.

E neste dia em que também celebramos a padroeira da Sé do Funchal, Nossa Senhora da Assunção, louvemos a Deus pelos 500 anos da sua Dedicação, cuja festa jubilar diocesana terá lugar no próximo dia 18 de Outubro: bendizemos ao Senhor por todas as graças recebidas e atividade pastoral desenvolvida, e pedimos-Lhe que a nossa Catedral seja verdadeira Igreja-Mãe, sinal e fator de unidade de toda a Diocese.

Igreja jovem com os jovens

Como sabemos, em Outubro do próximo ano, o Santo Padre reunirá em Roma um Sínodo dos Bispos sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Manifestação da solicitude da Igreja pelos jovens, a preparação deste Sínodo constitui, desde já, uma oportunidade para que a Igreja Diocesana, em união com a Igreja universal, realize um caminho de revisão, reflexão e renovação pastoral, tendo na devida atenção os jovens e as questões fundamentais com que se debatem, designadamente o sentido da vida e a importância da fé na busca da felicidade. Que Maria, a jovem de Nazaré, abençoe todo este esforço de ajudar os jovens na descoberta de Cristo e dos seus chamamentos.

É neste sentido que aponta, também, o programa pastoral da Diocese 2017-2018, com o tema “Diocese do Funchal, Igreja jovem com os jovens”, um grande desafio para todos nós e, de forma especial, para os jovens cristãos, os movimentos e obras de pastoral juvenil. Como dizia o Papa São João Paulo II, “A Igreja será jovem, quando os jovens forem Igreja”!

À Senhora do Monte

E por fim, irmãos, uma prece muito especial a Maria-Mãe, à nossa Padroeira: Senhora do Monte, olhai para esta Diocese que é vossa; olhai e amparai os vossos filhos que nesta hora mais precisam de ajuda, ânimo e força para refazer as suas vidas e construir o futuro; abençoai e protegei todas as famílias; abençoai e protegei as crianças e os jovens, os idosos, os doentes, os pobres, os desempregados, todos os que perderam a coragem de sonhar e de acreditar em Deus e nos homens. Que não nos falte a saúde, a paz e a concórdia, o trabalho, o ânimo da força da fé e da esperança para enfrentar a realidade concreta da vida de cada dia.

Senhora do Monte, nossa Padroeira, rogai por nós!

 

Funchal, 15 de agosto de 2017

† António Carrilho, Bispo do Funchal

 

Voltar

Contactos

Diocese do Funchal
Largo Visconde Ribeiro Real, 49
FUNCHAL
9001-801

 

© 2015 Todos os direitos reservados.

Diocese do Funchal - Gabinete de Informação