Homilia de Natal do Bispo do Funchal

24-12-2015 00:08

Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal

Natal do Senhor – Missa da Noite

Sé do Funchal, 24 de Dezembro de 2015

Celebrar o Natal no Ano Santo da Misericórdia

 

«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados» (Lc 2,14)

Oh admirável noite, em que nasceu do seio de Maria o Redentor!  Com grande beleza litúrgica, a  Igreja celebra o amor eterno do Pai de Misericórdia, manifestado no nascimento do Seu Filho Jesus. Aqui nos reunimos, pois, nesta santíssima noite de Natal, com grande júbilo e gratidão, para celebrar os louvores e a misericórdia infinita do nosso Deus, comungando os mesmos sentimentos de alegria e de paz. É que, escreve S. João, “ o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). É tempo de proclamar a Paz e a Alegria no Menino de Belém.

Uma Luz no coração da noite

Toda a liturgia do Natal está atravessada pela enorme Luz do Verbo de Deus e da Sua glória. Somos chamados à contemplação do inefável mistério do nascimento do Filho de Deus e da sublime dignidade do homem e da mulher. Nesta ditosa noite, lembramos o Papa S. Leão Magno num dos seus admiráveis sermões: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade”. 

O texto de Isaías, proclamado na primeira leitura, de bela expressão poética, constitui uma admirável mensagem de esperança e de alegria, num momento doloroso e de angústia profunda do povo de Deus. O profeta messiânico, séculos antes, aponta para o cumprimento das promessas do Senhor: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar” (Is 9,2).

 Contrastam as imagens de guerra com a doce ternura de um Menino, um herdeiro real, verdadeiro dom do Pai. É a boa nova da paz e da alegria, que ilumina um povo que andava nas trevas da opressão do exílio, da tristeza e da morte. Também hoje, num mundo sem as perspetivas de paz e de esperança desejadas, precisamos de nos deixar surpreender e alcançar por Cristo, Luz do mundo e rosto da misericórdia do Pai.

Na Carta de S. Paulo a Tito (2ª leitura), o Apóstolo enaltece a graça de Deus que se manifestou em Jesus Cristo, nosso Salvador: “Manifestou-se a graça de Deus fonte de salvação para todos os homens” (2,14).Com a graça que a Igreja nos confere no batismo, somos filhos de Deus e templos do Espírito Santo. Cristo introduz-nos na comunhão do amor Trinitário, que nos capacita para as boas obras e conduz à vida eterna.  

O Menino de Belém, Rosto da Misericórdia

S. Lucas, o evangelista da infância de Jesus, coloca-nos diante do quadro admirável, que nos toca profundamente pela sua simplicidade, pobreza e ternura. É o primeiro presépio vivo da história: Jesus, Maria e José, dentro de uma pobre gruta em Belém, cidade de David. “Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura” ( 2,12).

No coração da noite, longe dos ruídos do recenseamento do Imperador César Augusto, nasce o Filho de Deus em Belém, que significa “Casa do Pão”. O mistério do nascimento de Jesus não ficou confinado à data histórica de há 2000 anos. Tornou-se um verdadeiro mistério de amor inefável que se renova na liturgia da Festa do Natal e acontece sempre que se celebra a Eucaristia.

Com sentimentos de amor e gratidão, entremos na pobre gruta e contemplemos, em silêncio, no rosto do recém-nascido o Rosto da Misericórdia do Pai. Como escreve o Papa Francisco, “Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus. A sua pessoa não é senão amor, um amor que se dá gratuitamente” (Bula, O Rosto da Misericórdia,8). Celebrar o Natal é contemplar e acolher o sorriso, a ternura e a misericórdia de Deus, que penetra o coração da Humanidade, como dom e fermento transformador.

O Natal da Misericórdia

Neste Ano Jubilar, cheio de graça e penhor das maiores bênçãos do Senhor, celebremos com fé viva e renovada alegria o Natal da Misericórdia. Não nos limitemos apenas às mensagens de boas festas e à troca de presentes. A maior e mais sublime mensagem de Natal é o próprio Filho de Deus, que nos convida a abrir o coração aos gestos de ternura, de vigilância e atenção aos outros, especialmente aos mais pobres. Há que substituir a cultura da indiferença pela cultura da proximidade e da inclusão dos mais desfavorecidos, a cultura do coração misericordioso de Deus, que vem continuamente ao nosso encontro. Que as obras de misericórdia sejam, pois, a nossa estrela de Belém a iluminar os caminhos que nos conduzem ao presépio, ao coração de Jesus Menino. 

Com a Senhora de Belém, celebremos o Natal no seu verdadeiro dinamismo de intimidade com Deus e de fraternidade humana, de atenção vigilante aos que mais precisam da nossa presença, amizade e ajuda, traduzida em gestos gratuitos de generosidade. Como diz o Papa Francisco, “Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem; na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne” (Bula, 24).

Saudação de Natal

Queridos diocesanos da Madeira e Porto Santo: Boas Festas! Que o canto dos anjos continue a ressoar nas vossas famílias, unidas em redor do presépio, na alegria e na paz dos vossos lares. Procurai interiorizar o anúncio jubiloso da Misericórdia, porque hoje nasceu Jesus para nós. Santo e Feliz Natal!

Convosco lembro, junto do presépio, as famílias feridas por qualquer espécie de sofrimento, luto, pobreza ou desemprego; lembro, também, os doentes nos hospitais ou em suas casas, todos aqueles que não podem celebrar e viver a alegria do Natal, designadamente os cristãos perseguidos e os refugiados. Que, por nosso intermédio, Deus Menino a todos envolva no Seu abraço de misericórdia, de consolação e de paz.

Os meus votos são extensivos aos nossos emigrantes e aos turistas que nos visitam nesta quadra natalícia: Boas Festas, Santo e Feliz Natal! Nas noites da nossa vida, a Luz do Verbo de Deus iluminará a nossa estrada em direção ao presépio, onde Jesus, Maria e José nos esperam e acolhem num abraço de ternura e misericórdia. Não esqueçamos que o nosso maior presente de Natal é Jesus Menino, porque sem Jesus não há Natal!

Mais uma vez vos digo: Santo e Feliz Natal para todos!

Funchal, 24 de Dezembro de 2015

†António Carrilho, Bispo do Funchal

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