Domingo de Páscoa

30-03-2016 19:48

Homilia de D. António Carrilho, Bispo do Funchal

Domingo de Páscoa – Ressurreição do Senhor

Sé do Funchal, 27 de Março 2016

Testemunhas de Vida Nova, em Cristo Ressuscitado! 

O canto de alegria Pascal que hoje ressoa na Igreja, faz-nos viver em harmonia e comunhão com toda a família de Deus, nascida na Páscoa, e com a natureza em festa: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente”! É a boa e surpreendente notícia que nos enche de esperança e aponta para uma vida nova.  Aleluia!

Neste Ano Santo da Misericórdia, celebramos com imenso júbilo a misericórdia de Deus, nosso Pai, e as suas maravilhas, na solenidade da Ressurreição de Cristo. Com todo o coração cantamos alegremente: “Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, porque é eterna sua misericórdia” (Sl 117).

Na Luz do Ressuscitado

A liturgia da Palavra deste domingo convida-nos a aprofundar o sentido e alcance do inefável mistério da gloriosa Ressurreição de Cristo, dom da Santíssima Trindade. “Tudo isto veio do Senhor: é admirável aos nossos olhos”. A Ressurreição de Jesus é mistério admirável da nossa fé.

S. Pedro, na primeira leitura, fala-nos de Jesus como ungido pelo poder do Espírito Santo: “Deus ungiu com a força do Espírito Santo a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo demónio, porque Deus estava com Ele” (Act 10,38).

Na segunda leitura, S. Paulo aponta-nos Cristo glorioso, sentado à direita de Deus Pai. O Apóstolo chama a nossa atenção para a vida em abundância dos que se encontram unidos a Cristo. Na verdade, a vida é breve e as razões da nossa esperança estão somente em Deus: “Porque vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.

Na aurora da Ressurreição

O relato do evangelista da misericórdia, S. Lucas, abre-nos novos horizontes de Vida, a partir da ressurreição de Jesus.

Na verdade, na madrugada da Ressurreição, Maria Madalena vai ao sepulcro. Está inquieta e perante o sepulcro vazio corre a chamar Pedro e João. Surge assim um novo dinamismo, um movimento inusitado: “Entretanto, Pedro pôs-se a caminho e correu ao sepulcro. Debruçando-se, viu apenas as ligaduras e voltou para casa admirado com o que tinha sucedido (Lc 24,12). Os discípulos correm e as mulheres, com vasos de perfumes, sinal de grande amor a Jesus, aproximam-se do sepulcro vazio: “Não está aqui. Ressuscitou!”

A Luz da Páscoa invade suavemente todo o espaço do jardim, mas sobretudo o coração dos amigos, que ficam cheios de assombro. Uma expressão inesperada ressoa no íntimo dos que amavam Jesus e estavam tristes com a sua morte: “O Senhor ressuscitou verdadeiramente! A partir de agora, a chave de leitura e interpretação de toda a história humana, a vida, o sofrimento e a morte, encontra-se no mistério Pascal de Cristo.

Com a força do Senhor Ressuscitado, rolam as pedras dos nossos medos, egoísmos e perplexidades, retiram-se as ligaduras dos nossos apegos e pecados. Abrem-se os olhos. O caminho ilumina-se e o coração dos discípulos fica a arder com a presença do Senhor na sua caminhada. O Ressuscitado surpreende-os com a sua presença de Amigo. Ele é o caminho, a verdade e a vida.

O sepulcro vazio e as aparições do Ressuscitado foram os primeiros sinais para expressar a fé na Ressurreição. Não foi fácil para os primeiros discípulos acreditar que Jesus tinha ressuscitado. Mas Jesus não é um fantasma. Ele entra nas casas com as portas fechadas, encontra-se com os amigos, fala com eles, deixa que eles lhe toquem. Jesus Ressuscitado conserva as chagas nas mãos, nos pés e no lado, para nos dizer que permanece, todos os dias, connosco nas nossas lutas, dificuldades, sofrimentos e esperanças.

Testemunhas do Ressuscitado

A Ressurreição é um evento histórico e transcendente, um acontecimento de fé.  “A ressurreição de Jesus é um acontecimento dentro da história que, todavia, a ultrapassa”, diz Bento XVI no seu livro Jesus de Nazaré. A humanidade de Jesus glorificada participa plenamente da vida divina da Santíssima Trindade. Na Ressurreição nasce a comunidade dos Apóstolos, que é enviada em missão a evangelizar (cf. At 10,41-42). Eles sabem, porém, que o êxito da sua missão não depende apenas do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Ressuscitado, que faz caminho com eles.

Na continuidade dos Apóstolos, a Igreja é chamada a levar a luz, a esperança e a vida às periferias existenciais e geográficas do mundo. Ninguém poderá ignorar os problemas que atingem tanta gente, como, os perseguidos por causa da sua fé, os refugiados,  as vítimas inocentes da violência e da guerra. O Papa Francisco pede a atenção da Igreja para, “cuidar das feridas dos pobres, dos sem voz, e aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas” (O Rosto da Misericórdia).

Sejamos verdadeiras testemunhas da Ressurreição e levemos o “óleo” da misericórdia a todos os nossos irmãos e irmãs, que perderam o horizonte da esperança. Ao ressuscitar o Filho Amado, Deus manifesta a grandeza do seu amor e da sua proximidade para com os homens e as mulheres, no Seu abraço de misericórdia.

Boas Festas Pascais

Que a Senhora da Ressurreição vos acompanhe e aponte caminhos novos de alegria, de vida e felicidade em Cristo Ressuscitado. Com Maria, contemplamos no Rosto do Senhor glorioso o Rosto da infinda misericórdia do Pai.

Aos queridos diocesanos da Madeira e Porto Santo, aos emigrantes e turistas que passam este tempo entre nós, os meus votos sinceros de Boas Festas Pascais na clara Luz do Senhor Ressuscitado. Cristo ressuscitou verdadeiramente. Aleluia!

 

Funchal, 17 de Março 2016

†António Carrilho, Bispo do Funchal

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