Dia 19

19-01-2016 23:00

O segundo dia das jornadas para religiosos e leigos (dia 19 de janeiro), na igreja do Colégio, no Funchal, foi preenchido com duas conferências pelo padre Manuel Morujão. A primeira sobre a “Reconciliação: sacramento da misericórdia infinita”; e a segunda sobre a “Mensagem de Fátima, profecia de misericórdia”.


Perante uma assistência atenta, o antigo Superior dos Jesuítas em Portugal apresentou o “sacramento da reconciliação” como “um sacramento especializado em misericórdia”, a partir de Jesus Cristo que foi  enviado por Deus ao mundo, “não para o condenar, apesar de tantos males, mas para que ele fosse salvo”. Neste sentido, também “a Igreja continua a ação de Jesus Cristo”, seguindo o seu exemplo de perdão e de misericórdia para com os” pecadores que, no seu tempo,  eram apontados a dedo”, como “Zaqueu, cobrador de impostos, com fama e proveito de roubar a toda a gente; a Samaritana que tinha uma vida de maridos sucessivos”, e tantos outros que “não encontram um polícia da moral, a dizer que está mal, que é proibido, mas encontram um coração aberto para perdoar. A Igreja de hoje representa este Jesus Cristo e,  portanto, administrar  o perdão misericordioso a todos aqueles que, humildemente, o pedem é uma riqueza”.


Ainda assim,  o sacerdote jesuíta reconhece que, atualmente, este sacramento “passa por uma certa crise”, devido, em parte, à “falta de padres que tenham disponibilidade de tempo e abertos a um horário para confessar”;  mas, “é atual, não está ultrapassado”, sublinha. Aliás, acrescenta, “as pessoas sentem necessidade de desabafar, de abrir o seu coração com um confidente, um psicólogo ou psiquiatra, e hoje esquece-se mais a figura de um sacerdote que não está ali em nome próprio, mas que lhe cabe oferecer o perdão de Deus”.


Por outro lado, “se tenho dificuldade em me abrir a alguém que também é pecador, mas que representa a misericórdia de Deus, posso  ter a certeza que alguém me diz “tu confessas o teu pecado e Deus confessa-te o seu amor e perdoa-te de coração, aposta em ti, tu podes ser melhor e  te dá a sua graça. Acho isto uma experiência muito bonita.  Trata-se de um encontro semelhante ao da Parábola do Filho Pródigo. As contas que Deus acerta connosco são sempre de festa e de misericórdia”, garante o padre Manuel Morujão.


Mais do que “um dever” ou “uma obrigação”, a “confissão é um direito, dizia João Paulo II” . Isto é, “tenho o direito de encontrar alguém que represente Deus amor, rico em misericórdia e me diga: vai em paz, os teus pecados estão perdoados, és uma criatura nova, tens futuro… ; e não alguém que me diga, como  acontece tantas vezes nas relações sociais: não concordo, não confio em ti, desisto, fizeste mal e isso é horrível… A  perspetiva de Deus é diferente, “é sempre positiva, de esperança. Deus às vezes parece até ingénuo, já conhece há milénios as suas criaturas humanas e as barbaridades que se fazem à face da terra”, mas “continua a apostar, a confiar em nós”. E é isto que “a Igreja deve oferecer como um direito, a qualquer pessoa que deseja encontrar Deus misericórdia, para viver em paz.”
Em tempos de incerteza e de inquietação, a medida do perdão é “70 x 7”, porque “no meio de tantos sinais negativos, terrorismos, violência doméstica, inimizades, ressentimentos, vinganças, ódios, podemos receber uma mensagem de conforto e de esperança; é um tesouro que podemos aproveitar, mas exige humildade. A atitude contrária: sou bom, tenho muitas virtudes, rezo, ajudo o próximo…,  mas não fico seguro e nem sempre vejo as falhas, e quero ser perdoado pela autoridade suprema do universo que é o nosso Pai… , pressupõe humildade,  por aqui passa o caminho da salvação, da verdadeira libertação e felicidade”, explicou o padre Morujão que neste Ano Jubilar em curso será também um dos muitos “missionários da misericórdia”, designados pelo Papa.  Estes missionários vão receber o “mandato” no  início da próxima Quaresma e as suas competências destinam-se a “proclamar, através de iniciativas, que Deus é misericórdia e que nós devemos ser missionários da misericórdia uns com os outros”; ainda que “os  missionários da misericórdia devemos ser todos. Lá em casa, na família, no grupo comunitário, nas relações sociais, aí temos que ser missionários da misericórdia porque missionários de conflitos e inimizades acho que ninguém deve ser”, considera. Além disso, estes missionários nomeados pelo Papa, “para além de muitas outras incumbências, poderão absolver durante este Ano mesmo os pecados reservados à Santa Sé”.


Na outra conferência da noite, o padre Manuel Morujão debruçou-se sobre a mensagem de Fátima, no contexto das aparições de Nossa Senhora em 1917  e como “sinal da misericórdia de Deus”.


Mais do que a “visão do inferno, o milagre do sol e a recomendação de rezar”,  não podemos esquecer que “há um pano de fundo,  um contexto geral de misericórdia”. Antes dessa data, “houve perseguição da Igreja no advento da I República” e o mundo sofria com a I Grande Guerra, “uma história desastrosa, anti-misericórdia, de agressão mútua entre nações e com milhões de vítimas”, lembra o sacerdote. Mas, “Nossa Senhora vem, em nome de Deus, como numa segunda visitação,  trazer uma mensagem de esperança: quem vencerá não é o mal, mas o bem, podemos rezar e fazer sacrifícios para que o mundo seja melhor, os males do mundo têm remédio, a guerra vai acabar…  É uma mensagem de esperança que depois será resumida na visão de Lúcia, em 1929, em Tuy, em que se viam representados Cristo, um cálice e Nossa Senhora de Fátima, com as palavras graça e misericórdia para toda a humanidade”, revelou o antigo porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa.


As jornadas de atualização dos religiosos e leigos que este ano estão subordinadas ao tema geral: “Jubileu da Misericórdia; Aprofundar e Viver a Misericórdia”, terminam esta quarta-feira com as conferências: “Os Padres da Igreja e a Misericórdia”, pelo  cónego Doutor Vítor dos Reis; e  “Ação das Misericórdias ao longo da História da Madeira”, pelo Dr. Jorge Spínola, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal.

 

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